As sessões de terapia oferecidas pelo Centro de Atenção Psicossocial II (CAPS) de Taguatinga ficaram mais animadas com o uso da musicalidade. Os assistidos pela instituição contam, todas as segundas-feiras à tarde, com oficinas de música. Com o auxílio da voz, teclado, violino e violão, o tratamento se torna mais agradável.
“Nosso objetivo é trazer equilíbrio por meio da música. Ela acalma a mente, traz bem-estar, sociabiliza os sujeitos”, explica o professor de música e voluntário Elsaby Antunes que, junto com os profissionais do CAPS, promove as atividades com música.
Nas oficinas são desenvolvidos o processo de iniciação musical (som e ritmo) e aulas de instrumentos musicais, para depois inserir os pacientes nas apresentações à comunidade.
Segundo a terapeuta ocupacional Maiara Ioris, as oficinas terapêuticas são espaços nos quais a vivência e o aprendizado obtido no CAPS são levados para fora do ambiente da unidade.
“A prática adquirida ou potencializada aqui é levada para casa, ao trabalho, à comunidade”, destacou a terapeuta ao explicar que a música é um instrumento de motivação.
Além do grupo da oficina de música, o CAPS oferece duas vezes na semana aulas individuais de violão, violino, teclado e voz. Segundo Antunes, a intenção não é formar artistas ou profissionais, mas fazer as pessoas se sentirem melhores, mais úteis e participando da sociedade.
Para participar é necessário estar em acompanhamento pela equipe que é formada por psicólogos, psiquiatra, clínico, terapeuta ocupacional, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
DO CAPS PARA A VIDA
Um dos pontos mais tratados em todas as atividades desenvolvidas nas terapias de saúde mental é a importância da ressocialização ou até mesmo a sociabilização dos pacientes.
Segundo a gerente do Centro, Girlene Pinheiro, grande parte dos doentes mentais busca o isolamento, se fecha em seu próprio mundo, chegando a perder qualquer perspectiva de vida. Daí o foco na interação com outras pessoas e com a comunidade por meio da música.
A psicóloga afirma que experimentar algo diferente do que se está acostumado a ser e a fazer é um grande estímulo para tirar o paciente do seu próprio mundo fechado. “A música fala muito da gente. Por meio dela podemos extravasar, expor sentimentos e trocar experiências com outras pessoas”, disse Girlene.
EXEMPLO
Foi tocando que Wesley Luiz Carvalho, 29 anos, conseguiu sair do isolamento de uma depressão profunda e começou a voltar às atividades cotidianas. O bacharel em Sistemas de Informação era também militar quando teve seu primeiro surto e conta que na época não foi definido um diagnóstico específico entre psicose, esquizofrenia e bipolaridade.
“Após três meses em crise, caí em depressão profunda, tinha pensamentos de autoextermínio, me sentia inútil e tinha pânico de sair da cama”, relata.
Wesley diz que até um dos maiores prazeres que ele tinha que era tocar na igreja foi deixado para trás. O resgate para o convívio social e uma melhora na sua saúde mental se deu com o trabalho da oficina de música em conjunto com o acompanhamento psicológico, psiquiátrico e apoio da esposa, família e amigos.
“A terapia ocupacional me ajudou a me redescobrir como indivíduo, mas o conjunto de todo o apoio que recebi e recebo é que me ajudou a me recuperar. Há seis meses não estaríamos aqui conversando”, afirma.
Atualmente, o paciente ainda está em acompanhamento com psicólogo e psiquiatra, mas já pratica outras atividades como tocar em uma banda de amigos da igreja Santa Luzia, de Samambaia, e começa a desenvolver atividades voltadas à sua área de formação, além de redescobrir seus dotes artísticos na Oficina de Artes também disponibilizada no CAPS.