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Brasília

Ações simples ajudam a reduzir conta de luz

Arquivo Geral

27/08/2014 7h00

A conta de energia este mês deve vir mais cara, e o militar Mário Ferreira, de 43 anos, sabe bem disso. Para tentar não sofrer tanto o impacto do reajuste de 18,08%, na hora de trocar o chuveiro elétrico, o primeiro critério de avaliação foi o consumo. “A economia de água e eletricidade foi decisiva para escolher a marca”, afirmou.

Desde ontem, o reajuste médio de 18,88% para todas as categorias passou a vigorar no Distrito Federal e não deve sofrer redução por pelo menos um ano. Isso se não aumentar. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os reservatórios das hidrelétricas estão em níveis baixos e, portanto, foi preciso aumentar o uso de termelétricas, que demandam mais dinheiro.

Assim, o preço para distribuição sofreu aumento, cujo teto é estipulado pela agência, mas o valor exato fica a critério do distribuidor de cada unidade federativa. Para 2014, a Companhia Energética de Brasília (CEB) optou por praticar o reajuste médio de 18,38% para consumidores de baixa tensão (residências, zona rural, industrial e iluminação pública) e quase 20% para os de alta tensão (a partir de 2,3 kilovolts).

Lâmpadas

Mário já havia começado a pensar no bolso, quando o assunto era energia, muito antes. Sua primeira medida foi trocar as lâmpadas de sua casa por produtos de LED, que não esquentam e têm maior durabilidade. Além disso, ele garante que o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), é importante na hora de   escolher um eletrodoméstico. “Mês passado paguei só R$ 27 na conta. Além dos aparelhos, procuro sempre não deixar luzes acesas e não demorar no banho. Como moro sozinho e não fico muito em casa, até que é simples”, garantiu.

Custo-benefício

O vendedor  de uma loja de eletrônicos e miudezas no Cruzeiro, Denílson de Moura, de 25 anos, afirma que as lâmpadas de LED são as mais vendidas em época de reajuste de preços da energia. “Uma fluorescente normal de 100w custa cerca de R$ 8 e dura até 8 mil horas. A de LED de 7,5w é bem mais cara, a partir de R$ 35, mas dura 25 mil horas”, exemplifica.

Aneel explica o porquê do valor mais caro
 
 Wesley Teixeira da Silva, autônomo de 32 anos, só compra as chamadas lâmpadas frias, de LED.  Ele diz que, para economizar, também toma banhos de, no máximo, 10 minutos e não coloca coisas quentes no refrigerador. “Em vez de abrir a geladeira para pensar, penso antes de abrir a geladeira”, acrescenta. Ele, no entanto, discorda do aumento na conta de luz.
 
A Aneel, por sua vez, esclarece que “o reajuste tarifário está previsto no contrato de concessão feito com o governo federal” e, portanto, acontece anualmente. Os principais fatores que contribuíram para o aumento do preço foram: custos com compra de energia, pagamentos de encargos no setor (tributos criados por lei para desenvolver o setor elétrico) e atualização da inflação dos últimos 12 meses.
 
A agência havia sugerido reajuste maior, de 28%, mas a CEB teria solicitado – e sido atendida – a redução de nove pontos percentuais. Ainda assim, a diferença pode ser diluída em possíveis aumentos a serem discutidos nos próximos anos. Em outras unidades da Federação a conta subiu mais. A média foi de 32% no Paraná e de quase 38% em São Paulo.
 
Sem visão de longo prazo
 
De acordo com o consultor interno da Freitas Refrigeração, no Cruzeiro, Ismael Pereira de Jesus, de 30 anos, a economia a longo prazo não é a maior motivação dos seus clientes para selecionar os produtos. “O que pesa para eles é o preço inicial”, diz o homem. Segundo ele, outro critério que instiga a compra é bem menos “nobre”.
“A procura por produtos econômicos é coisa de momento, só acontece quando o assunto está na mídia. A maioria das pessoas ainda escolhe os produtos pela beleza”, diz. Ele exemplifica que se um produto classificado como A na tabela de consumo custa R$ 1,5 mil e outro como B custa R$ 1 mil, o último provavelmente terá maior procura, pois os clientes não enxergam que podem “compensar” o valor inicial maior com valores menores na conta de energia.
 
Consciência ambiental
 
“É questão de divulgação e consciência ambiental”, define o engenheiro elétrico da Universidade de Brasília, Rafael Shayani. “Além dos hábitos de consumo, existe o uso de novos equipamentos. Com o preço de consumo aumentando, se o cidadão investir em tecnologias, ele gasta um pouquinho mais agora para economizar depois”, acredita.
Seu melhor exemplo é o da mansão oficial da Itália, na Avenida das Nações. Lá é usado um gerador solar fotovoltaico, pioneiro no DF, que economiza de 17% a 20% de energia por mês, em relação a residências sem o sistema. “Há muitas consequências positivas. Primeiro, a redução do consumo de CO2, depois a redução do consumo”, pontua o embaixador Raffaele Trombetta.
 
“Uma planta fotovoltaica produz mais energia nas horas diurnas, quando há maior radiação solar. O excesso de produção é revertido para a CEB”, explica o diplomata, que credita o trabalho inovador a embaixadores anteriores. A ideia teria nascido de um modelo já aplicado em território italiano, portanto existe viabilidade de trazer o modelo para o Brasil.
 
“O que estamos tentando fazer na Itália, onde já temos este tipo de experiência, é o futuro para o meio ambiente. Uma das preocupações principais do nosso país”, afirma Raffaele. 
 
Práticas mais  saudáveis de consumo
 
Um dos pesquisadores envolvidos com o gerador fotovoltaico utilizado na residência oficial da Itália em Brasília é justamente o engenheiro elétrico Rafael Shayani, que se orgulha do projeto. “É questão de divulgação e consciência ambiental. O prédio deles é antigo, feito por um famoso arquiteto italiano, e a instalação dos painéis fotovoltaicos é escondida no telhado, sem alterar a arquitetura”, exalta. Para os cidadãos comuns, ainda sem acesso a esse tipo de tecnologia, ele faz recomendações mais acessíveis.
 
“São dois principais consumidores de energia dentro de casa: tudo que esquenta, como chuveiro elétrico, torradeira e micro-ondas, e tudo que gira, que tem motor, como a máquina de lavar roupa”, esclarece. “A questão básica é tomar banhos mais curtos e não deixar lâmpadas ligadas. Esses seriam hábitos de consumo saudáveis”, exemplifica Shayani.
 
“Se a pessoa mora em casa, é interessante pensar em instalar painéis solares para fazer o aquecimento do chuveiro ou da piscina. Também é legal troca de lâmpadas pelas de LED. Ela é um pouco mais cara, mas o consumo pode ser até 10 vezes menor”, afirma. “As lâmpadas não têm consumo tão alto, mas como usamos o tempo todo – podem ficar até 12 horas ligadas por dia -, deve ser motivo de atenção dos consumidores”, conclui.
 
Apagão
 
Em 2001, vivemos o chamado “apagão”, que fez com que tivéssemos de ter cuidado ao usar aparelhos eletroeletrônicos e nos controlássemos no consumo. Atualmente, as reservas hídricas estão em níveis mais baixos e o aumento do preço na conta do cidadão é reflexo direto disso. Sendo assim, o consumo consciente passa a ser mais que uma questão ambientalista, pois também afeta onde o bolso.
 
Ponto de vista
 
 “O reajuste de preço é reflexo do aumento de consumo de energia no Brasil. Muitas pessoas saíram da classe C para a classe B e foram comprados muitos eletrodomésticos”, acredita o especialista Rafael Shayani. “Como não foram construídas novas hidrelétricas, pelo impacto ambiental, passamos a usar mais termelétricas, que emitem 
gases de efeito estufa. Economizar energia é bom para o bolso e para o meio ambiente”, conclui.
 
Saiba mais
 
O reajuste apenas para uso residencial foi de 18,08%, mas como as classes consideradas de baixa tensão também englobam zonas rurais, industriais e até iluminação pública, a média de baixa tensão ficou em 18,38%
O aumento da tarifa afeta todos os cerca de 962 mil domicílios atendidos pela CEB no Distrito Federal. Ano passado, o reajuste não ultrapassou 6%.

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