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Brasília

Acidentes representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes

Arquivo Geral

10/07/2009 0h00



“Meu filho, page sai de perto do fogão! Não mexe na tomada que dá choque! Cuidado com essa piscina! Segura a minha mão para atravessar a rua!” O alerta dos pais nunca foi tão importante. Os acidentes representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes no País. O período de férias escolares, medications sempre tão aguardado pela meninada, merece uma atenção redobrada. Segundo especialistas, as crianças permanecem mais tempo em casa e ficam mais expostas aos riscos de acidentes.


A diarista Elane Ferreira do Nascimento, 29 anos, trabalha todos os dias com o coração na mão. Ela e o marido saem de casa às 5h e só voltam à noite, por volta de 18h. Os dois filhos, Guilherme, 8 anos, e Jéferson, 5 anos, ficam sozinhos durante uma parte do dia, quando não estão na escola.  “O mais velho é o que me dá mais trabalho. Ele sobe em árvore, no muro, escala a grade. Mas sempre peço para um vizinho ficar de olho e ver se está tudo bem”, afirma.


Quando se trata de segurança no lar, todo cuidado é pouco. Por isso, Elane tomou algumas providências para manter a casa mais segura. “Não deixo facas e objetos cortantes ao alcance dos meninos. Escondo todos os produtos de limpeza e converso  sobre os perigos”, ressalta.


Mesmo com os cuidados, ainda há algumas ameaças para as crianças. Como eles passam o dia sozinhos, o filho mais velho de Elane tem que esquentar a própria comida no fogão de casa. “Ele já esqueceu o gás ligado. Quando cheguei em casa, estava um cheiro insuportável. Se alguém acendesse um fósforo, poderia ter explodido. Fiquei desesperada quando isso aconteceu”, lamenta a mãe. Mas para a diarista não há outra alternativa. “A gente não tem outra opção. Temos que sair para trabalhar e garantir o futuro deles”.


Perigo dentro de casa


Depois de passar por um grande susto, a auxiliar administrativa Kelly  Correia, 30 anos, decidiu priorizar a segurança em casa. O filho Enzo Enowe, 11 anos, é considerado tranquilo pela mãe. Mas, como toda criança, já deu bastante trabalho quando era mais novo. Prova disso é a marca que ele carrega no braço desde os cinco anos. “Ele estava no colo da minha tia, perto do ferro de passar roupas. Só bastou um descuido. Ele resolveu mexer no aparelho quente e sofreu uma queimadura horrível”, lembra Kelly.


O garoto aprendeu a lição. A mãe, em contrapartida, passou a ter mais cuidado com as tomadas e objetos cortantes espalhados pela casa. Agora, tesouras, objetos de  vidro e facas ficam longe do alcance de Enzo. Segundo Kelly, a independência do filho é conquistada aos poucos. “Eu ensino ele a se virar, até mesmo fazer comida no fogão. Mas nunca sozinho. Até para tomar suco mudei os hábitos. Meu filho só toma em copos de plástico”, garante.


Os últimos dados divulgados pelo Datasus, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, mostram que, em 2006, 5.520 crianças morreram e mais de 137 mil foram hospitalizadas vítimas de acidentes de trânsito, afogamentos, sufocações, queimaduras, quedas e intoxicações.


A ONG Criança Segura, dedicada à promoção da prevenção de acidentes com crianças entre 0 e 14 anos, alerta que os acidentes domésticos aumentam neste período. “É natural que a criança permaneça mais tempo em casa. Por isso, fica mais exposta a determinados tipos de acidentes comuns do ambiente doméstico, como quedas, queimaduras e intoxicações”, afirma a coordenadora nacional da ONG, Alessandra Françoia.


Mas o ambiente externo, como a área de lazer do prédio, a pracinha ou parquinho do bairro, também deve ser considerado na hora da supervisão. Segundo a ONG, os atropelamentos representam 46% das mortes ligadas a acidentes de trânsito.  Por este motivo, as brincadeiras na rua e nas garagens dos edifícios podem oferecer sérios riscos à criançada. As brincadeiras com pipas, por sua vez, devem ocorrer somente em locais abertos, longe dos fios de alta tensão para evitar o risco de choque elétrico.








  Cuidados necessários

Nos playgrounds e parquinhos, as quedas são bastante comuns, sendo a principal causa de hospitalização por acidentes com crianças de 0 a 14 anos. Para evitar o problema, segundo a ONG Criança Segura é necessário uma supervisão e verificação dos equipamentos destes locais: se o piso é de absorção para essas quedas – como borracha e areia, se a altura deles não passa de 1,2 metro, se estão enferrujados, quebrados ou se contêm superfícies perigosas.
A ONG orienta que se a programação de férias prevê pegar uma estrada com a garotada, vale uma orientação importante: a criança deve sempre estar no banco de trás, utilizando a cadeirinha ou o equipamento mais adequado de acordo com a altura, o peso e a faixa etária dela.

Afogamentos
Se o destino incluir praia ou piscina, é preciso ficar atento ao risco de afogamento, pois trata-se de uma das principais causas de acidentes com crianças, ficando atrás apenas dos acidentes de trânsito. Isso vale, também, para quem tem piscina em casa. Colocar uma proteção é recomendável. Quando a criança for brincar na água deve ter sempre a supervisão de um adulto.


Apenas no ano de 2006, segundo dados do Ministério da Saúde, 1.489 crianças morreram vítimas de afogamento. Para evitar este tipo de acidente, recomenda-se, ainda, o uso de boias e coletes salva-vidas.


A ONG Criança Segura ressalta, no entanto, que a principal forma de prevenir os acidentes domésticos é simples. Basta deixar  um adulto sempre responsável pelas crianças. Meninos e meninas de pouca idade jamais devem ficar sozinhos em casa ou em lugares de risco.


“Mesmo assim, todo ser humano é falho. O diálogo é sempre a melhor alternativa. Não adianta esconder os produtos de limpeza e objetos cortantes. O adulto precisa  conversar com as crianças e orientá-las sobre os perigos e riscos que elas podem enfrentar”, defende a coordenadora da ONG, Alessandra Françoia.


 


 

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