A Brasil Tur Turismo, responsável pelo ônibus envolvido em um acidente que matou 11 pessoas a caminho de Setubinha (MG), na última sexta-feira, não possui registro na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) com o número de CNPJ que divulga na empresa. Além disso, em depoimento à polícia, alguns passageiros disseram que o veículo havia sido multado por sobrepeso das bagagens. O grupo levava doações à cidade mineira.
O problema pode ter se somado à falha nos freios, fazendo com que o ônibus tombasse. A real causa do acidente, porém, só sai em 15 dias, quando a perícia será concluída.
No entanto, segundo o pastor Samuel da Silva, um dos líderes da Assembleia de Deus de Sobradinho, apesar desses problemas, a Brasil Tur Turismo está arcando com os custos de velório e traslado.
O velório de nove corpos ocorreu na manhã de ontem e centenas de pessoas compareceram ao Ginásio de Sobradinho para dar o último adeus às vítimas. Cantos religiosos, orações e muitas lágrimas marcaram o momento.
Ficam as lembranças
Uma das vítimas, Gunnar Fagundes havia prestado vestibular para engenharia da computação. O sonho do jovem de 18 anos de idade era usar a profissão em favor do trabalho missionário. Segundo a mãe dele, a dona de casa Antônia Fagundes, essa foi a segunda vez que Gunnar viajou a Setubinha.
Irmã mais velha de sete filhos, Maria Rodrigues de Brito, 52, também faleceu no acidente. “É muito doído. Ninguém espera por isso, mas nada é por acaso. Sinto que chegou a hora dela e que ela cumpriu o dever aqui na terra”, disse a empregada doméstica Manuelina Rodrigues de Brito, irmã da vítima da tragédia.
A dona de casa Cleide Ribeiro lembra que a irmã, Francisca Nunes dos Santos, 32 anos, falecida no acidente, tinha muita alegria e altruísmo. “Era uma pessoa muito querida, estava sempre do nosso lado. Ela orava pela família e fazia um trabalho muito bonito na igreja”, contou. Francisca era casada há mais de dez anos com Denílson Alves dos Santos, 35 anos, também vítima do acidente. Eles deixam três filhos.
Fatalidade não impedirá o trabalho
Depois de mais de quatro horas no ginásio, a multidão se dirigiu ao cemitério de Sobradinho II. Foram disponibilizados quatro ônibus do terminal rodoviário da cidade até o cemitério. Lá, além de Francisca e Denílson, foram enterrados Marinalva Vicente da Silva Oliveira, 50 anos, Edinalva Maia Araújo, 40, Simone Lima da Silva, 21, Jacira Clara de Souza, 68 e Vandelina de Jesus Souza Monteiro, 36. Foram levados para o cemitério de Planaltina-GO Euvanice de Oliveira Costa e Valmira Felix de Araújo.
Os corpos de Maria Rodrigues de Brito, 59 anos, e Gunnar Fagundes Alencar Teodoro, 18 anos, foram sepultados no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, ao final da tarde de ontem.
Três pessoas ainda estão hospitalizadas em Governador Valadares. Uma mulher teve de amputar o braço. Dois homens estão emobservação, sendo que um deles pode precisar fazer uma cirurgia na coluna, devido a uma suposta fratura.
Indenização
De acordo com a igreja, as famílias das vítimas serão indenizadas e receberão apoio emocional.
Segundo o pastor Luiz Fernando Andrade, o trabalho continua, apesar do ocorrido. “É uma tragédia que nunca aconteceu. Isso poderia ter acontecido com qualquer um que viaja de ônibus”, declarou.