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Brasília

Ação humana é responsávem por 93% das queimadas

Arquivo Geral

03/07/2011 9h31

Gabriella Bontempo
gabriella.bontempo@jornaldebrasilia.com.br

Com a chegada da seca, o risco de incêndios florestais no Distrito Federal aumenta. Para se ter uma ideia, só no início da estiagem, de 15 de maio a 26 de junho, o Corpo de Bombeiros registrou 447 focos, uma média de 27 chamadas por dia. Durante todo o ano passado, ocorreram 2.840 incêndios florestais.

Além das causas naturais, como o clima seco e o acúmulo de materias combustíveis, a ação do homem é a que mais se destaca – 93% das ocorrências registradas foram por vandalismo, descaso, queima para rebrota de pastagens e para plantios.

 

Foto: Michael Melo

Ontem, um incêndio devastou uma área de 6,5 hectares de Cerrado na QI 3 do Lago Sul. A queimada começou por volta de 9h30, no terreno do 6º Comando Aéreo Regional (Comar), da Aeronáutica, e avançou até 15 metros das bombas de gasolina de um posto de combustível. O fogo também se aproximou do Aeroporto JK, e ficou a 200 metros da pista de voo, mas não foi preciso interromper as operações. As chamas alcançaram cinco metros de altura.

controle

Os bombeiros conseguiram controlar o incêndio somente às 12h30. A corporação ainda não tem informações sobre o que teria provocado a queimada – somente a perícia poderá esclarecer as circunstâncias do incidente. Não está descartada a hipótese de incêndio criminoso. Os bombeiros só chegaram ao local cerca de 40 minutos depois de acionados. Oficiais da corporação explicaram que a guarnição do Lago Sul não dispunha de viatura com reservatório de água para atender à ocorrência e veículos de outras regiões foram deslocados.

Segundo o major Barcelos, do Grupamento de Proteção Ambiental, em 13 anos de corporação nenhum dos incêndios que atendeu foi por causas naturais. “A porcentagem é bem baixa. Normalmente, queimadas causadas por raios, por exemplo,  ocorrem durante o período chuvoso. Nessa época, o fogo não se propaga tanto devido à umidade. Segundo dados meteorológicos, este ano vai ser seco. Esperamos três mil focos de incêndio”, esclarece.

Em 2010, dos incêndios provocados, o que mais prejudicou o ecossistema foi o ocorrido no Parque Nacional de Brasília, em abril passado, que queimou 10 mil hectares de vegetação nativa.

Prevenção

Na tentativa de evitar novos prejuízos, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o parque, iniciou, desde a semana passada, o aceiro ao redor da área. Essa medida consiste na queima da vegetação  às margens das rodoviais até a cerca do parque. Esse incêndio provocado pelos brigadistas e voluntários ajuda a eliminar a matéria seca, e assim, impedir que o fogo que se iniciar próximo da pista se alastre.

Segundo a analista ambiental do ICMBio, Christiane Harowitz, o que mais preocupa é a área que não queimou no ano passado. “A área que teve o incêndio perdeu parte do material combustível, mas a outra, tem o acúmulo, porque são quase quatro anos sem fogo. Caso haja um incêndio, o fogo se propagará rapidamente”.

O gerente do instituto, João Batista Lemos, explica que todos os anos são feitos os aceiros em 80 quilômetros de extensão do parque. “A prevenção está sendo feita dentro e fora da área preservada. Internamente, dividimos a área em cinco partes. Assim, se tiver um incêndio, não perderemos tanto como no ano passado”.

Para ele, o ideal seria intensificar a campanha educativa. “90% dos incêndios que acontecem dentro do parque têm início de fora para dentro. Se as pessoas se conscientizassem mais, teríamos uma prevenção mais eficaz”.

A maioria da área queimada está localizada próximo à rodovia que liga Brazlândia a Taguatinga. Para isso, basta uma bituca de cigarro acesa jogada do carro.

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