Na plataforma superior, a Secretaria de Saúde, em parceria com a Central Única das Favelas do DF (CUFA-DF) e uma escola de cabeleireiros, montou um salão de beleza dos mais cheios. Enquanto esperavam na fila para mudar o visual, as mulheres podiam assistir a uma das palestras que aconteceram o dia todo no Centro de Testamento e Aconselhamento (CTA), onde também era possível fazer, de graça, testes de Aids, Sífilis e Hepatite. Tanto as palestras, que orientam pessoas de todas as idades a respeito de prevenções e tratamentos de doenças sexualmente transmissíveis, quanto os testes sanguíneos, acontecem no CTA durante o ano inteiro. No entanto, o trabalho foi intensificado para atender a grande demanda das campanhas e comemorações do Dia da Mulher.
Entre as muitas mulheres que passaram pelo salão de beleza montado na Rodoviária, estava Veranilda Alves da Silva, 80 anos, que nem é de Brasília. Saiu há poucos dias de Belo Horizonte para visitar a irmã na capital. As duas tinham ido ao banco, e passavam pela plataforma superior quase por acaso. “De repente, vi o salãozinho”, disse dona Veranilda, entre um corte e outro de tesoura.
Sentada nas cadeiras enquanto não chegava a vez de cortar o cabelo, a depiladora Monique Dias já chegou ali sabendo o que queria. Ficou sabendo das atividades na Rodoviária pela televisão, pegou um ônibus e foi direto ao salão improvisado. “Vim porque tô precisando e porque é de graça”. Monique, que lida com diversas mulheres diariamente, ressaltou a importância das outras ações do dia, como prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, testes para detectá-las e informações de como tratá-las. “No Dia da Mulher, acho que esse é o melhor presente: cuidar da saúde e da beleza”, afirmou a jovem de 23 anos.
Perto do metrô, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus), o Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do DF e o Conselho do Idoso, também organizaram um espaço com múltiplas atividades. Houve quem recitasse poema às homenageadas do dia, houve canto, dança, muita música e até desfile de moda, protagonizado por jovens senhoras. Além da diversão e da homenagem, também houve espaço para assuntos dos mais sérios.
Enquanto voluntários distribuíam uma cartilha que trazia toda a Lei Maria da Penha comentada, a defensora pública Heloísa Lombardi tirava dúvidas as mais variadas a respeito de procedimentos jurídicos. “A idéia é trazer um esclarecimento. Muita gente pede orientações sobre processos de separação, guarda de filhos, agressão”, afirmou Heloísa. Entre as dúvidas mais comuns, está a pensão alimentícia. “Elas perguntam: ‘o que eu faço pro pai do meu filho pagar a pensão alimentícia?'”, a partir daí, são dadas as orientações são dadas para que cada problema seja resolvido da melhor forma possível, e com rapidez.
Heloísa Lombardi esclarece, ainda, que as mulheres devem ficar atentas quando se trata de agressão. “A violência, em geral, começa com um xingamento. A maioria das mulheres não sabe que uma agressão criminosa pode ser também verbal e sexual”. Segundo a defensora pública, em casos de qualquer dúvida a respeito de agressões e procedimentos jurídicos, as pessoas podem se dirigir aos núcleos de Defensoria Pública, localizados em todos os fóruns do Distrito Federal. Embora o dia fosse especialmente dedicado às mulheres, o balcão da Defensoria Pública havia atendido um homem. E a dúvida, segundo Heloísa, era se ela não tinham ali uma rosa, porque ele queria levar para a esposa.