Menu
Brasília

Ação educativa incentiva alimentação saudável, redução do desperdício e oferece refeições a preços acessíveis

A atividade integra a política de segurança alimentar e nutricional promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF)

Redação Jornal de Brasília

25/07/2025 12h20

1000037082

Foto: Carliane Gomes / JBr

POR CARLIANE GOMES 
redacao@grupojbr.com

Nesta semana, os restaurantes comunitários do Distrito Federal promoveram um dia especial para conscientizar a população sobre os benefícios do aproveitamento integral dos alimentos. Durante o horário do almoço, das 11h às 14h, os frequentadores receberam orientações práticas sobre como transformar cascas, sementes e talos em refeições nutritivas e econômicas. A iniciativa faz parte de um trabalho realizado mensalmente em todos os restaurantes comunitários do Distrito Federal, com o objetivo de orientar os frequentadores sobre práticas alimentares mais saudáveis, econômicas e sustentáveis. A atividade integra a política de segurança alimentar e nutricional promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF).

1000037132
Marina Avelar, (nutricionista), Diana Faria, (nutricionista) Carolina Suaid, (Assistente social da Sedes) e Luciene Rocha (nutricionista)

Segundo Carolina Suaid, assistente social da Sedes-DF, a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) é uma das estratégias permanentes adotadas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para garantir o direito à alimentação adequada. “A ação faz parte da política de segurança alimentar e nutricional. Da mesma forma, como o Restaurante Comunitário e o Programa Prato Cheio, ela é uma das ações que garantem o direito humano à alimentação adequada. A ideia é incentivar as famílias mudarem seus hábitos alimentares, levando para casa uma alimentação de qualidade e mais saudável”, afirma. 

Durante as atividades, painéis explicativos são montados nas unidades e receitas que utilizam cascas, sementes e talos, partes muitas vezes descartadas, são apresentadas aos frequentadores. Nesta edição, o público foi convidado a experimentar um salpicão preparado com casca de melancia. “Mostramos que um mesmo alimento pode ser transformado em várias receitas. Isso evita o desperdício e reduz o consumo de ultraprocessados, que costumam ser mais acessíveis, mas não são saudáveis. A proposta é que essas famílias aprendam a se alimentar melhor, mesmo com poucos recursos”, destacou. 

Além disso, ela destaca que o restaurante comunitário é mais do que um espaço de refeição é também um ambiente de aprendizado. “Nosso público é formado por pessoas em situação de vulnerabilidade. Neste lugar, além de uma alimentação balanceada, elas têm acesso a informações que fazem diferença no dia a dia. É um passo importante para promover saúde, autonomia e consciência alimentar”. 

Sem desperdício 

1000037151
Foto: Carliane Gomes / JBr

Quem passava pelo Restaurante Comunitário do Riacho Fundo II não encontrava só comida no prato, mas também aprendizado. Entre uma receita e outra, a equipe de nutrição explicava como aproveitar os alimentos por completo, sem desperdício e com sabor. “A gente estimula uma alimentação saudável aliada à sustentabilidade. As pessoas se surpreendem quando descobrem que cascas, sementes e talos também são ricos em nutrientes. A casca da banana, por exemplo, é cheia de potássio”, explicou a nutricionista Letícia Beatriz. Ela ainda destacou que, apesar do estranhamento inicial com os ingredientes das receitas, o público costuma aderir bem. “Muitos já fazem isso no dia a dia sem perceber. A ideia é só reforçar e ampliar esse hábito”. 

A nutricionista Marina Avelar explica que o aproveitamento integral dos alimentos é uma forma de tornar a alimentação mais saudável, econômica e diversa, além de ajudar a reduzir o desperdício. “Quando a gente usa só a polpa e joga o resto fora, vai junto muito nutriente e também dinheiro. As cascas da maioria das frutas e vegetais têm muita fibra, que ajuda no funcionamento do intestino. É possível aproveitar bastante coisa e tornar a alimentação mais saudável com o que já se tem em casa”. Durante a iniciativa, a equipe apresentou exemplos de receitas apresentando opções saudáveis que utilizam cascas, talos e sementes. Marina destaca que há muitas outras possibilidades de preparo, com alimentos que muitas vezes são descartados no dia a dia. “Suco de beterraba, chá com a casca do abacaxi, bolos mais saudáveis com banana verde, abóbora, mandioca, chips com cascas de frutas, geleias e até omeletes com vegetais e frutas também são boas opções”.

Para ela, o segredo está em experimentar novas combinações e mudar a forma de preparo dos ingredientes. “É só saber adaptar. Às vezes a pessoa tem preconceito com um ingrediente, mas dependendo da receita nem percebe o sabor. Você pode acrescentar esses alimentos em pratos que já gosta, como uma pizza ou um bolo. Dessa forma, varia a alimentação e consome mais vitaminas e minerais sem gastar muito.”

Alimentação variada 

Para a cabeleireira Carmelita Rodrigues, 57 anos, a ação é uma oportunidade importante para quem ainda não conhece as utilidades das partes dos alimentos que normalmente são descartadas. “Eu acho maravilhoso. Tem muita gente que não sabe as utilidades de tudo, é muito bom que estejam sempre falando e ensinando as pessoas”, diz. Ela já aplica algumas receitas em casa, como o uso da casca da melancia, da semente de abóbora e da beterraba. Seu prato preferido é o purê de abóbora, mas também elogia o refogado feito com a casca da melancia. “Eu corto a casca, tiro a parte vermelha, deixo só a branca, e refogo como se fosse chuchu. Fica muito gostoso”, conta.

Apesar da rotina agitada, Camelita tenta manter uma alimentação saudável sempre que pode e pretende continuar reproduzindo as dicas das nutricionistas. “Às vezes, quando tenho tempo, faço uma alimentação mais saudável. Vou com certeza, colocar em prática as receitas que aprendi hoje. Achei muito bom”.

A aposentada Ivanilda Garcez, 61 anos, costuma frequentar o restaurante comunitário acompanhada dos netos. Para ela, a campanha de reaproveitamento integral dos alimentos é fundamental para aprender como se alimentar melhor. “Maravilhoso! A gente consegue entender como ser mais saudável e ter mais saúde, muito importante esse trabalho que estão fazendo com a comunidade”, comenta.

Ivanilda garante que mantém uma alimentação saudável em casa, com verduras e frutas. A moradora do Riacho Fundo II afirmou não ter preconceito com o consumo de cascas e sementes. “Tem mais vitamina do que o próprio conteúdo lá dentro. Agora estou aprendendo porque não sabia disso antes”. A neta, Maria, de 10 anos, também aprovou a iniciativa e gostou das receitas oferecidas durante a ação. “Eu achei muito bom. Gosto de banana, mandioca, batata doce e beterraba. Quero fazer na minha casa”, contou animada.

Francisco Mesquita, 62 anos, técnico em edificações, estava trabalhando perto da Feira Permanente do Riacho Fundo II e aproveitou para almoçar no restaurante comunitário. “Fazia uns 10 anos que eu não vinha aqui. Aproveitei que estava perto para experimentar de novo”, contou. Ele disse que não é vegetariano, mas evita carne na maior parte do tempo. “Hoje comi bem, sem carne, e essa receita com casca de melancia está aprovada, muito boa”. Sobre a campanha de reaproveitamento dos alimentos, Francisco aprovou a ideia: “É muito bom e necessário. A gente perde muito alimento à toa. Se dá para aproveitar, por que não?”.

O Distrito Federal possui 18 restaurantes comunitários, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social. Localizados em diversas regiões administrativas, esses restaurantes oferecem refeições nutritivas a preços populares, com opções a partir de R$ 1. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado