Mariana Laboissière
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Em 2009 a 1ª Vara da Infância e da Juventude (1ª VIJ) atendeu 30 casos de crianças e adolescentes em situação de abandono em todo o Distrito Federal, enquanto até setembro deste ano foram apenas nove. Entretanto, os números não refletem a realidade da região, tendo em vista que muitos sequer chegam ao conhecimento da Justiça. Estudiosos vão além quando afirmam que que o próprio conceito de abandono deve ser questionado uma vez que ele próprio é motivo de confusão até mesmo junto aos órgãos especializados.
“Primeiramente, deve-se entender que enfoque tem esse ‘abandono’ dito pela Vara, pois, em muitos casos tratam-se de mulheres que admitem não ter condições mínimas de exercer sua maternidade”, expõe o gestor da ONG Aldeias Infantis SOS Brasil, em Brasília, Nélson Peixoto. “Perante a legislação atual essas mães não são consideradas mais perversas. Hoje há outras interpretações. São vários motivos que levam a mulher a não criar aquela criança, há inclusive a depressão pós-parto”, acrescenta.
Em menos de uma semana foram divulgados na imprensa dois casos emblemáticos de abandono de recém-nascidos. Uma das crianças foi encontrada enrolada em uma roupa, no Guará II, e a outra enrolada a um pedação de pano, no chão de um terreno do Park Way. As duas histórias foram contadas em edições do Jornal de Brasília.
A presidente fundadora do Lar Padre Cícero – voltado à crianças abandonadas pelas família – Maria da Glória Nascimento de Lima, 65 anos, explica que a demanda é sempre crescente. “Hoje tenho 45 crianças abrigadas, mas teve épocas que chegamos a receber 180. De qualquer forma, a nossa primeira ação aqui dentro é tentar a reintegração das crianças às famílias e só após esgotada essa alternativa há a possibilidade da adoção”, explica.
Glorinha, como é conhecida, não sabe se os dois recém-nascidos encontrados no Guará e no Park Way serão encaminhados para o Lar Padre Cícero, embora expresse sua satisfação caso possa recebê-los. Ainda de acordo com a fundadora presidente, 60% das crianças que são abrigadas conseguem ser reintegradas às famílias, enquanto os outros 40% são encaminhadas para a adoção. Ela frisa que o acompanhamento à família acontece antes, durante e depois da reintegração. Além de suporte financeiro, os parentes recebem atendimento de psicólogos.
Leia mais na edição desta sexta-feira (10) do Jornal de Brasília.