Brasília

Abaixo-assinado contra barulho de sirene dos bombeiros em Águas Claras gera polêmica

Por Arquivo Geral 13/06/2018 12h33
Foto: Reprodução/CBMDF

Matheus Venzi
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Um abaixo-assinado inusitado de um grupo de moradores de um condomínio residencial de Águas Claras gerou polêmica na internet nesta terça-feira (12). A iniciativa de moradores do prédio Smart Residence Service contesta o barulho das sirenes de viaturas do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). A população condenou a ideia.

Victor Mattioli é morador da Região Administrativa e autor da publicação em um grupo no Facebook. “Eu tive acesso ao documento e fiquei indignado com a revindicação. O Corpo de Bombeiros está ali para salvar vidas e ajudar a comunidade, só usam a sirene quando é realmente necessário”,  pontuou o jovem de 26 anos em entrevista ao Jornal de Brasília.

O rapaz foi aprovado em 2017 para o cargo de condutor dos bombeiro e destaca: “O uso [das sirenes] é assegurado pelo Código de Trânsito Brasileiro, que permite isso”. O artigo 29 do CTB certifica que a sirene e os sinais luminosos emitidos pelos veículos de emergência são permitidos com o objetivo de alertar os outros motoristas e pedestres sobre uma situação de urgência.

Na opinião de Victor, os moradores responsáveis pelo abaixo-assinado vão se arrepender da iniciativa. “Um dia eles irão precisar dos bombeiros. A minha intenção nunca foi ofender ninguém, apenas desabafei sobre uma atitude que não gostei, fiz o meu papel de cidadão. Um barulho de apenas alguns segundos de uma sirene não atrapalha a vida de ninguém, pelo contrário, pode ajudar a salvar vidas”, opina.

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prédio Smart Residence Service (Foto: Reprodução/Youtube)

Maioria é contra

Segundo Marcelo Marques, diretor de comunicação do grupo onde ocorreu a postagem, o abaixo-assinado não condiz com a opinião da maioria dos moradores de Águas Claras. “São mais de 100 mil pessoas morando aqui. No próprio grupo, quase todas as pessoas repudiaram a atitude. Nós vivemos em uma cidade que cresce a cada dia que passa. Esse é preço que pagamos por morar em um centro urbano”, diz. Segundo ele, em 2017, já teve outra reivindicação de alguns moradores. Entretanto, acabaram desistindo ao perceberem a importância do barulho.

Mesmo assim, Marcelo acredita que são poucas pessoas que estão a favor da iniciativa. “Pelo que fiquei sabendo, são 1.150 moradores naquele prédio e apenas 26 pessoas teriam assinado o documento. Uma minoria. Tenho certeza que isso não irá para frente depois de eles perceberem que quase todas as pessoas não concordam com a reclamação deles”, garante.

O que diz o CBMDF

Em nota, o Corpo de Bombeiros do DF se pronunciou sobre o caso. Segundo a corporação, os sinais sonoros e luminosos são dispositivos essenciais para as viaturas em situação de socorro, sendo obrigação do condutor a utilização destes recursos durante o deslocamento para atendimento. “A sinalização garante que a prioridade de trânsito desses veículos seja garantida, sem que outras necessidades de socorro sejam geradas ao longo do caminho. A regulamentação está prevista no artigo 29, inciso VII, do Código de Trânsito Brasileiro”, diz a nota.

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“É importante ressaltar que os sinais sonoros das viaturas somente são acionados quando estas se encontram em situações de socorro, visando proporcionar mais segurança não só para os militares que estão a bordo destas viaturas, mas também para os veículos e para os pedestres, independente do horário em que o deslocamento ocorre”, prossegue o texto.

A corporação também lembrou o fato de que, durante a madrugada, a sirene é usada em cruzamentos e semáforos para evitar colisões com motoristas desatentos ou alcoolizados.

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