
A volta às aulas na rede pública, na próxima segunda-feira, continua uma incógnita. A essa altura do campeonato, há professores que ainda não sabem onde serão lotados. Eles teriam sido orientados a esperar uma resolução em casa, até terça-feira. A contratação de temporários, por outro lado, depende de decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que está para sair. E como se não bastasse, há ameaça de greve.
Funcionária da Secretaria de Educação há mais de 16 anos, uma professora de Ceilândia diz que ainda não sabe onde dará aula. “Costumávamos receber a lotação antes do ano letivo. Agora, além de não informarem onde vou ficar, me mandaram aguardar”, denuncia.
Segundo a professora, que estava em exercício provisório, até temporários devem iniciar as atividades antes. “Como pertenço à Regional de Ceilândia, só posso ser lotada em uma escola de lá, mas ainda não sei qual. Vamos nos apresentar depois dos outros profissionais, por isso teremos menos tempo para organizar nosso plano de ensino”, lamenta.
Sem cargo
Uma professora de Planaltina, servidora há 25 anos, está em situação similar. Em 2013, ela foi convidada a assumir a coordenação da escola. O que não imaginava é que uma modificação no quadro de funcionários, neste ano, a deixaria temporariamente sem cargo.
“Em janeiro, a determinação era que nenhuma escola iniciasse o ano letivo com coordenadores. Após reunião com diretores e o sindicato, porém, ficou decidido que cada instituição teria, pelo menos, um coordenador. Agora, os coordenadores serão escolhidos em votação com funcionários da escola. Essa reunião está programada para amanhã (hoje)”, explica.
Segundo a professora, a secretaria teria informado que os coordenadores eleitos só poderiam assumir em abril. “Caso seja reeleita, não sei o que farei até abril. Depende do coordenador montar um plano pedagógico e planejar atividades para o ensino integral, como isso vai funcionar?”, questiona. “E se não for reeleita, não sei onde serei lotada. Só semana que vem saberemos quais as vagas com carência”, diz.
Problema interfere no planejamento
Fernando Reis, diretor de Políticas Educacionais do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), confirma que, ao contrário dos anos anteriores, desta vez o GDF não disponibilizou uma lista com a carência de vagas em cada regional. “O governo cometeu uma falha grave. Diante da falta de planejamento, fizeram um calendário emergencial de apresentação dos profissionais sem lotação para os dias 23 e 24. A data não só coincide com o início das aulas, como com a assembleia da categoria”, reclama.
Fernando enfatiza a dificuldade que esses professores enfrentarão. “Só depois do início do ano letivo é que esses profissionais saberão em que escola irão trabalhar, em que turno e com quais turmas. Isso impacta no planejamento das aulas e atrapalha professores e alunos”, afirma.
Greve
Diante de tantas incertezas, uma assembleia foi organizada pelo Sinpro-DF para a próxima segunda-feira, primeiro dia de aulas. Caso o GDF não ofereça soluções para os impasses e uma nova proposta para o pagamento dos R$ 120 milhões em benefícios atrasados – somatório de rescisão dos contratos temporários, adicional de férias e 13º salários -, os professores prometem entrar em greve.
