Houve quem, no ano passado, em meio às greves de servidores, desse o alerta ao governador Rodrigo Rollemberg: não havia nenhuma garantia de que os aumentos salariais concedidos na gestão de Agnelo Queiroz pudessem ser pagos a partir de outubro deste ano.
E, se fossem pagos, haveria o risco de faltar dinheiro para arcar com os salários do funcionalismo.
Mas, apavorado com as greves e sem assessoria competente para dialogar com os sindicatos, Rollemberg assumiu o compromisso de pagar os aumentos. E ainda passou à população a ideia, mesmo sem querer, de que os problemas financeiros enfrentados pelo governo de Brasília logo estariam superados. Como se vê, não estão – embora sejam hoje bem menores do que quando começou o governo.
Temor de novas greves é grande
O governo está quebrando a cabeça para encontrar soluções a curto prazo para ter condições de honrar os compromissos assumidos com os servidores e manter o pagamento dos salários em dia. Mas já viu que não dá para contar com ilusões como venda maciça de terrenos e imóveis. Novas greves no segundo semestre, nas avalições do Buriti, têm de ser evitadas a todo custo.
Populismo retardado e ineficaz
Andaram dizendo ao governador Rodrigo Rollemberg que ele melhorará sua imagem e de seu governo participando intensamente de inaugurações e assinatura de ordens de serviço – mesmo as mais irrelevantes – e dando entrevistas sobre todo e qualquer assunto.
Essa é uma visão primária de como deve ser a interação do governador com a população e como ele deve se expor à opinião pública. Rollemberg não tem de se esconder nem se fechar no Buriti e em Águas Claras, mas não precisa, como se diz na política, comparecer até em batizado do cachorrinho da vizinha de sua prima.
Como a prática é o critério da verdade, quando Rollemberg descobrir que foi enganado por marqueteiros amadores e palpiteiros profissionais poderá ser tarde demais. Pior será quando descobrir que, ao contrário do que pensa, não está arrebentando a boca do balão.
Presenças que não suprem a ausência
O sentimento que há sobre o governo Rollemberg é de ausência e ineficiência. Ou seja, a população não vê o governo presente em questões que a afetam diretamente, como a qualidade do transporte urbano, as deficiências no atendimento médico e hospitalar, a sensação de insegurança, os problemas de circulação e de trânsito.
Mas a presença do governo não se dá pelo comparecimento do governador em eventos sem importância e pela superexposição à mídia. E eficiência não se mostra montando palanques em qualquer inauguração e assinatura de ordem de serviço. É pelo trabalho intenso e pela presença efetiva do governador no reconhecimento e na solução dos problemas que a população sente que ele não está ausente. E também pelo diálogo eficaz, e não meramente protocolar, com os setores organizados da sociedade.
Vá trabalhar de verdade, vice
Esta história de que governante tem de ir para as ruas é, na maioria das vezes, mera demagogia. O governador tem de saber equilibrar o trabalho no gabinete – despachos, reuniões, audiências, estudo – com as atividades que ocorrem fora, como visitas e inspeções, reuniões com a população e com entidades, entregas de obras e serviços e eventos realmente importantes.
Mas ir para as ruas apenas para dizer que foi não resolve nada. Ir às ruas não pode ser desculpa para não trabalhar e não pode ter como objetivo apenas sair na televisão. Confrontar “rua” com “gabinete” é demagogia do típico simulador de produtividade.
Segurem os gênios
Governante que quer aparecer a todo custo paga mico e passa vergonha. Foi ridículo convocar a imprensa para cobrir a ida do presidente interino Michel Temer à escola de seu filho. Algum gênio deve ter achado que isso melhoraria a imagem de Temer.
Cuidado, secretário
O secretário da Fazenda, João Antonio Fleury, disse que há “chance zero” de haver corruptos em sua pasta. É uma boa demonstração de confiança em sua equipe, mas diante do que vemos diariamente é uma afirmação muito temerária.
Melhor dizer que não tem conhecimento de que haja corrupção e confia na sua turma. Mas que se houver algo será investigado e haverá punições. Chance zero é mão no fogo. Quando queima, dói muito.