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Brasília

A marca de Cunha não sai mais de Rosso

Arquivo Geral

15/07/2016 7h02

O maior prejuízo político para o deputado brasiliense Rogério Rosso não foi a derrota para Rodrigo Maia. Derrotas eleitorais podem ser vitórias políticas e em política nada é definitivo. Sempre se pode dar a volta por cima.

O grande prejuízo para Rosso foi a consolidação de sua imagem de aliado e candidato do ex-presidente Eduardo Cunha. Por mais que tentasse negar, não houve jeito de Rosso mudar a óbvia percepção generalizada de que sua candidatura significava a continuidade do poder de Cunha sobre a Câmara.

O culpado por isso é o próprio Rosso. Como seu partido, o PSD, estava na base de apoio a Dilma Rousseff, Rosso não votou em Cunha para presidente da Câmara, mas no candidato do PT, Arlindo Chinaglia. Mas logo ligou-se a Cunha e foi um de seus maiores defensores quando surgiram as denúncias de corrupção. Deve-se a Cunha sua escolha para presidir a comissão do impeachment.
Até pouco tempo atrás, Rosso não se importava em ser fotografado ao lado do ex-presidente e nunca defendeu seu afastamento do cargo e a cassação do mandato.
Não tem, pois, como reclamar de ser identificado com o corrupto e execrado Cunha. E não adianta mais querer negar.

Plano A e Plano B para 2018
Rosso tem dito a várias pessoas que pensa em se candidatar ao Senado em 2018. Mas diz também, a não tantas pessoas, que se o governo de Rodrigo Rollemberg for mal, pode se candidatar ao governo. Tem, assim, planos A e B: se o governo local for bem, disputará o Senado, com o apoio de Rollemberg. Se for mal, concorrerá ao governo, contra Rollemberg e procurando aglutinar os segmentos remanescentes do rorizismo e do arrudismo. A eleição para a presidência da Câmara era muito importante para esses planos, mas não essencial.

Agora há também um Plano C
Mesmo tendo perdido a eleição por elevada margem, Rosso se firma na Câmara como uma de suas principais expressões políticas. É líder do PSD e mostrou ter apoio de boa parcela do chamado “centrão”, o grupo de deputados que, como ele, apoiava Dilma e agora apoia Temer.

Rosso dificilmente terá alguma chance para a presidência da Casa em 2017, quando acaba o mandato de Rodrigo Maia, mas tem amigos que acreditam ter muito futuro na Câmara. Por isso já falam em um plano C: reeleger-se deputado federal, sem dificuldades, e tentar a presidência da Casa no próximo mandato.
Disputar o Senado ou o governo tem riscos. E no Senado Rosso não terá tanta facilidade para se destacar como tem na Câmara, onde o nível dos integrantes é muito baixo. Ainda que muitos achem que, sem a proteção de Cunha, sua visibilidade possa murchar.

Agora a estação do metrô pode sair
Será concedida a uma empresa privada, por 30 anos, a concessão de direito real de uso do terreno onde está a Estação Estrada Parque do metrô, em Águas Claras. A empresa vencedora da licitação vai concluir a estação, que não funciona por erros de engenharia, e poderá construir e explorar um shopping e prédios comerciais no local.
A notícia é boa, pois se depender dos recursos públicos a estação não funcionará tão cedo, assim como várias outras. Recorrer à iniciativa privada, que em troca remunera o Estado pelo direito de uso do terreno, é a melhor alternativa.
Conceder não é privatizar, assim como alugar não é vender. É, hoje, um caminho necessário.

Antes tarde e lento do que nunca
O governo levou nove meses para autorizar a licitação. Muito tempo, considerando-se os benefícios que o funcionamento da estação trará aos usuários do metrô e à própria empresa, aumentando o fluxo de passageiros. O modelo é adotado em diversos países.
Agora o Tribunal de Contas do DF tem mais 40 dias para aprovar a licitação. Depois o edital será elaborado e publicado. Aí passam a correr os prazos para a apresentação das propostas, decisão e recursos. O contrato é então elaborado e submetido à Procuradoria Geral.
Ainda demora muito, pois, para as obras serem iniciadas.

Caso quase perdido
Essa poderá ser a única obra de vulto do metrô de Brasília, que é altamente deficitário, paga valores irreais a seus funcionários, está atrasado tecnologicamente e funciona mal. As anunciadas obras para expansão da linha na Asa Norte, na Ceilândia e em Samambaia e a abertura de novas estações dificilmente se realizarão, por falta de recursos.
A situação é tão ruim que se o governo de Brasília, em um arroubo de coragem, resolvesse conceder a operação do metrô à iniciativa privada, provavelmente teria dificuldades em encontrar interessados.

Multas por distração excessiva
Há mesmo muitas rodovias em áreas urbanas de Brasília e isso confunde os motoristas, que se esquecem de ligar os faróis baixos. Essas rodovias urbanas deveriam é ser transformadas em vias urbanas.
Mas o motorista que trafega nas rodovias movimentadas e se esquece de ligar os faróis tem de ser distraído demais, pois 90% dos veículos que passam no sentido contrário estão com eles acesos.
São tão distraídos que oferecem perigo no trânsito. Merecem mesmo ser multados.

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