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Brasília

A história de Lucas Batista, o menino da porteira

Arquivo Geral

15/04/2013 8h00

Lucas Batista de Jesus, 19 anos, foi criado em meio a cavalos. Aos dois anos de idade foi encontrado pelo pai, João Batista, todo sujo de lama, dentro do estábulo. Aos oito, já montava de carona com o pai e, aos 14 anos, se apaixonou pelas vaquejadas. 

 

Lucas mora em uma chácara em São Sebastião com a família – todos vaqueiros – e sete cavalos. Na hora de arrumar o companheiro de quatro patas para a corrida, Apollo Jack, Lucas evidencia o seu jeito afetuoso com o bicho. 

 

“Ele é o meu favorito porque está comigo desde pequenininho. Cuidar de cavalos é igual ter um bebê. Já que eles viajam muito, temos que fazer exames de mês em mês e custa caro. Se você correr na brincadeira não compensa”, explica o vaqueiro, que considera a corrida mais que um esporte, uma profissão. 

 

Sensibilidade camuflada

Criado no sossego da chácara, Lucas não deixa transparecer no seu jeito de ser a brutalidade do esporte que pratica. Para o jovem qualquer esporte tem risco, mas as cicatrizes no braço reforçam os perigos da corrida de boi. “Acontece, machuca muito. Mas na hora eu nem sinto, é muita adrenalina, muita emoção. Os bichos se machucam um pouco também, mas o esporte está mais evoluído, não podemos maltratá-los. O Apollo é muito sensível, por isso me preocupo em utilizar os equipamentos certos nele”, conta o jovem, que sonha em estudar zootecnia ou veterinária: “Eu já tenho um certo entendimento, tenho uma noção básica e é uma coisa que gosto muito”, confessa. 

 

A peculiar cena de um cavalo brincando no jardim, rolando na grama de pernas para o ar, é até normal para quem mora naquela casa. “Esse é o jeito dele relaxar”, explica Lucas, dando risada. “O Apollo pula dentro do caminhão quando escuta a Banda Calypso, porque sabe que vai viajar”.  

 

Vocação de pai para filho

O cuidado com os animais veio do pai, João Batista Jesus, que já salvou um cavalo carroceiro dos maus tratos do dono. “Eu criei meus filhos todos no campo, melhor gostarem de cavalo do que qualquer outra coisa”, brinca João. 

 

Para Lucas a melhor parte da vitória no esporte que ama é o próprio apoio e incentivo do pai. “Eu ganhei uma competição em junho do ano passado, aqui no Parque de Exposição em São Sebastião. Meus amigos falavam que eu não ia conseguir. Mas assim que liguei para o meu pai, para contar da vitória, ele falou que sempre acreditou em mim”, lembra feliz. 

 

“Ele nasceu assim”

O orgulho e a confiança do pai estão presentes desde cedo. “Desde pequenino ele andava comigo e eu dizia: ‘esse cabra vai ser homem’, porque sempre foi honesto e companheiro. Ele nunca mentiu e foi criado sem apanhar. Sempre fiquei orgulhoso nas reuniões do colégio, porque só faziam elogios e me perguntavam o que eu fazia para ele ser daquele jeito. Eu dizia: ‘nada, ele nasceu assim’”, lembra o pai, que hoje tem 55 anos e trabalha como segurança. 

 

Nasceu assim, focado na vaquejada e sossegado, diferente dos amigos que às vezes não entendem o estilo do jovem. “Meus colegas falam que eu saio pouco, mas é porque não gosto dos lugares que eles vão. Não tem jeito não, eu gosto mesmo é de correr boi”, confessa.

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