“Meu filho estava lutando para dar uma vida melhor para a mulher, para as duas filhas e para o meu netinho que vai nascer. Ele era um menino alegre, gostava de jogar futebol e dançar”, lamenta Mara Santina Alves Pereira, 60 anos, ainda em choque pela perda do filho José Chaves Alves Pereira, 27 anos, baleado por policiais militares na BR-070.
A família conta que entre os objetivos do rapaz estavam melhorar de vida e comprar uma casa. Muito querido por todos que os cercavam, José Chaves era tido como um rapaz sempre presente entre os amigos, um companheiro para todas as horas. Ele cultivava paixão pelo time amador Dinossauros Futebol Clube, pelo qual disputava campeonatos aos fins de semana.
Gravidez
A mulher da vítima, Nayara Cristina de Oliveira da Silva, 23 anos, conta que José Chaves era um bom marido, e clama por justiça. “Eu não odeio ninguém, mas quero que a justiça seja feita”, diz a moça, grávida de oito meses. Ela lembra que Luís Miguel não terá a oportunidade de conhecer o pai. “Tudo mudou agora. Ficou um vazio e eu não sei o que fazer”, emociona-se Nayara.
Há um ano, o estudante havia perdido o pai após uma parada cardiorrespiratória. Desde então, a vítima ajudava a mãe com as despesas da casa. “Antes de sair, ele disse: ‘Mãe, estou saindo’, e não voltou’, recorda com tristeza Mara Santina.
A cunhada de José Alves, Adriana Lopes da Cruz, 30 anos, critica a postura das autoridades, que desde o incidente não procuraram a família. “Estamos chocados com tudo isso. Queremos que essa tragédia não fique impune. Eu peço que a Justiça resolva isso o mais rápido possível. Queremos que alguém venha falar conosco”, protesta Adriana.
União
Para o técnico de segurança e companheiro de Dinossauros, Leandro Rodrigues Martins, o momento é de união e de ajudar os parentes do amigo que partiu. “Nós viemos até aqui para ver como está a família e se eles precisam de alguma força. Todos do time são como uma família e agora também ajudaremos a família do Zé Chaves”, promete o parceiro de time.
Com voz embargada, Leandro lembrou o amigo: “Ele era um cara para tudo o que acontecesse. Sempre estava presente para ajudar, para sorrir ou para chorar”, descreveu o técnico.
Sem explicação
O assistente administrativo Igor Oliveira era amigo da vítima há pelo menos cinco anos e descreve o sentimento que tomou conta dos demais companheiros de trabalho de José Chaves: “Estamos revoltados com o que aconteceu. Não tem explicação. Foi uma ação desastrosa, que prova que a Polícia Militar não sabe abordar as pessoas, por estar mal preparada”, desabafa Igor, que protesta: “Quem sabe agora o governo faz alguma coisa”.