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Brasília

“População” de polvos para ajudar crianças

Arquivo Geral

10/04/2017 7h00

Atualizada 09/04/2017 21h19

Data: 09-04-2017 Polvo UTI Neo Natal Natalia de Azevedo Foto: Kléber Lima

Jéssica Antunes
jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br
Bebês prematuros das UTIs neonatais do Distrito Federal passaram a dividir o espaço das incubadoras com polvos de crochê. Os bichinhos, de cerca de 30 centímetros, fazem parte de uma iniciativa “importada” da Dinamarca e têm a intenção de confortar e estimular as crianças que tiveram a gestação interrompida precocemente. A novidade chama a atenção de artesãos, que se mobilizam para produção e doação dos chamados amigurumis. Segundo a Secretaria de Saúde, efeitos positivos são comprovados na situação clínica dos recém- nascidos.
Os tentáculos do polvo feito em crochê são semelhantes ao do cordão umbilical, em formato espiralado. O brinquedo é colocado dentro da incubadora para que a criança interaja naturalmente, contendo o corpo e dando segurança, aconchego e afago aos pequenos. Segundo Luísa Barroca, responsável pelo Departamento de Psicologia Perinatal da Maternidade Brasília, a sensação remete à gestação.
“Os bebês seguram os tentáculos do polvo como faziam com o cordão umbilical antes do parto. Isso favorece as conexões neuronais, ajuda a regular a frequência respiratória e cardíaca, contribui para o desenvolvimento dos estímulos táteis e reduz riscos de o bebê arrancar acidentalmente tubos e sondas”, explica a especialista. De acordo com ela, não há risco de enforcamento.
Para evitar qualquer problema de saúde aos bebês, os bichinhos de crochê precisam ser esterilizados a cada ciclo de cinco a sete dias – ou antes, se houver necessidade como contato com algumas secreções; sempre com água em temperatura superior a 60 graus. Os polvos são do bebê e podem ser levados para casa quando recebem alta médica.
Doações
Pelo Distrito Federal, artesãos e curiosos se reúnem para aprender, produzir e doar os bonecos de crochê às UTIs neonatais da cidade. Ontem, cerca de 80 pessoas se reuniram na Asa Sul com essa finalidade.
“Imagino como deve ser difícil pensar em não poder ficar junto com o filho após ele nascer. É bom pensar que tenham estímulo e conforto”, afirma Priscylla Lima, professora e crocheteira de 36 anos, que tirou a manhã de domingo para confeccionar polvos.
Mãe de três filhos, ela acredita que o ideal é que as iniciativas de doação persistam. “Bebês prematuros nascem todos os dias. Não pode ser uma moda, tem que continuar”, opina.
Características
Os bichinhos precisam ser feitos com linha 100% algodão e manta siliconada. Tudo deve ser costurado – nada de cola, tinta ou olhos de plástico. A cabeça deve ter, no máximo, dez centímetros e cada um dos oito tentáculos 22 centímetros de comprimento.

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