Jovens casais abrem mão do uso do preservativo quando há confiança no parceiro. A conclusão é de uma pesquisa do Pólo de Prevenção DST/Aids da Universidade de Brasília. O levantamento mostrou que, ampoule de 250 casais entrevistados, 70% não usam camisinha. O consumo de bebidas e drogas também provoca o esquecimento da proteção.
O coordenador do pólo, Mário Angelo Silva, afirma que a falta de cultura do uso do preservativo contribui para o aumento dos casos de HIV. “A Aids continua sendo uma doença do outro, estigmatizada e não prevenida adequadamente”, enfatiza.
Os estudantes Natália e João namoram há dois anos
Os resultados da pesquisa são observados na prática. Os estudantes Natália Balbe, 20 anos e João Henrique Dias, 21, namoram há dois anos. Desde o início do relacionamento, Natália toma pílula anticoncepcional e, com o tempo, eles passaram a ter relações sexuais sem camisinha. Antes de suspenderem o uso do preservativo, não realizaram exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis.
“Se eu tivesse uma vida muito ativa antes de começar a namorar teria me preocupado. Mas estamos juntos há muito tempo e sempre usei camisinha em namoros anteriores”, diz João Henrique. “Meu único medo é ficar grávida”, afirma Natália. O casal contou que usa preservativo em 50% das relações e nunca experimentou a camisinha feminina. “É grande e estranha. Nem saberia como colocar”, comenta Natália.
PREVENÇÃO – Para incentivar o uso do preservativo e orientar sobre sexualidade e doenças, existe há cinco anos na UnB o Pólo de Prevenção DST/Aids. O projeto de extensão, ligado ao Departamento de Serviço Social, distribui 4 mil preservativos mensalmente a professores, servidores e alunos cadastrados no programa. O projeto também realiza oficinas de educação sexual em escolas de ensino médio do Distrito Federal.
Cerca de 65% dos cadastrados são homens, e a quantidade de camisinhas femininas distribuídas é mínima. “As mulheres ainda têm dificuldade para exigir a prevenção. Temos de desconstruir o mito de que o preservativo atrapalha o prazer ou que o uso é atestado de infidelidade”, ressalta Mário Ângelo Silva.
ATENDIMENTO – A equipe é formada por 20 bolsistas de graduação, que dedicam 12 horas semanais ao projeto. Os estudantes recebem treinamento antes de iniciar as atividades. São eles que recebem o público e distribuem as camisinhas.
O aluno de Letras Tiago Alves de Sousa, 24 anos, explica que os interessados preenchem uma ficha não obrigatória com informações sobre a vida sexual. “Fazemos uma entrevista de acolhimento, um bate-papo informal, onde tiramos dúvidas sobre sexualidade. É um trabalho delicado, você tem de ter cuidado ao lidar com a intimidade alheia”, diz.
NOVIDADE – Desde junho de 2008, o pólo faz a distribuição de um novo modelo de camisinha feminina. Elas são maiores, têm anel mais flexível e possuem, numa das extremidades, uma espécie de esponja circular. O formato garante mais segurança para a mulher, pois evita vazamentos ao retirar o preservativo.