Francisco Dutra
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A cada dois pares de córneas coletadas para transplante no Distrito Federal, um par acaba no lixo. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no ano passado, das 329 córneas recolhidas no DF, 179 foram parar no lixo. O que equivale a uma taxa de 54,4%. A taxa de descarte de córneas coletadas para transplante no DF é maior que a média brasileira. Das 21.012 córneas recolhidas no Brasil em 2009, 10.817 foram jogadas no lixo. É uma taxa de 51%. Em ambos os casos, a taxa de descarte é superior a taxa registrada na literatura médica: 40%.
Segundo a gerente substituta de Tecidos, Células, e Órgãos da Anvisa, Renata Parca, as atuais taxas de descarte ainda não são motivo para alarde. De acordo com Renata, o descarte é inevitável. Pois os órgãos retirados para transplante precisam passar por uma série de avaliações antes de ser transplantados. Se for identificada má qualidade das córneas, contaminação por Hepatite B, Aids ou outras doenças o destino dos órgão é o lixo hospitalar. No DF, a maior parte dos casos de descarte é por má qualidade dos tecidos, sendo igual a 24% do total. No Brasil, 66% dos descartes se dividem em órgão de má qualidade e contaminados por Hepatite B.
única alternativa
Segundo especialistas, só é possível ter plena certeza de que as córneas podem ser doadas após a retirada do órgão, por meio de uma série de testes de laboratório. “O que estamos fazendo é o início de uma série histórica. Nos próximos anos, vamos poder estabelecer um padrão para o transplante no Brasil. A partir desse trabalho teremos indicadores de qualidade. E poderemos adotar medidas para melhorar a qualidade o processo de transplante, conforme esses indicadores. Se um local tiver uma taxa de descarte muito abaixo da taxa nacional pode nos chamar a atenção para os procedimentos que estão sendo feitos por lá”, explica Renata.
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