Menu
Brasília

202 famílias de Samambaia recebem escritura de lotes

Arquivo Geral

15/08/2008 0h00


As 202 famílias que viviam em uma invasão na quadra 203 de Samambaia começaram a receber nesta sexta-feira (15) a escritura de seus novos lotes. Até a próxima semana, mind todas serão transferidas pelo GDF para seis conjuntos das quadras 829 e 833 também em Samambaia, onde, além de moradia, terão acesso a água potável e energia elétrica. Pelo menos 500 pessoas, entre servidores do governo e voluntários, participam do mutirão para erguer rapidamente as casas de alvenaria.


O governador José Roberto Arruda esteve no local nesta sexta-feira e inspecionou os abrigos que estão sendo construídos até que as casas fiquem prontas, além de participar da entrega das escrituras. Arruda pediu aos beneficiados que não vendam seus lotes e ressaltou que as mulheres chefes de família serão as titulares dos terrenos. A idéia é garantir a permanência dos contemplados – inscritos em programas habitacionais do GDF – nos novos terrenos, que têm de 112 a 140 m². No próximo domingo (17), o governador voltará ao assentamento para acompanhar a transferência das famílias para as novas áreas.


Orgulhosa da conquista, a auxiliar de serviços gerais Adaílsa Guedes, 30 anos, não cansava de mostrar aos amigos a escritura de sua futura residência, no conjunto 1 da quadra 829. “Estou muito feliz agora. É o sonho de ter uma casa”, comemorava a baiana que chegou a Brasília há 20 anos e sempre morou de aluguel. Há cinco anos deixou a casa alugada em Samambaia, pela qual pagava R$ 250 todos os meses e se aventurou na invasão na QR 203 na esperança de um dia ganhar um lote. Depois da morte do marido, há oito meses, a situação ficou ainda mais difícil.


De acordo com o administrador de Samambaia, José Luiz Naves, o GDF está investindo R$ 500 mil na implantação das duas novas quadras, dinheiro gasto basicamente com materiais de construção. Cada família ganhou mil tijolos e 10 sacos de cimento. A mão-de-obra foi cedida por empresários que prestam serviços ao governo. “A idéia é trazer rede de esgoto, de drenagem de águas pluviais e capa asfáltica antes da chegada das chuvas”, disse Naves.


Assentamento dos moradores de Ceilândia


Um pouco mais à frente, ainda na quadra 829, 118 famílias que há pouco mais de dois meses ocupavam irregularmente a QNR 2 de Ceilândia já estão erguendo suas casas. No lote 18 da quadra 11, a dona-de-casa Maria de Lourdes da Silva, 48 anos, e os quatro filhos contam que aquele dia 8 julho – data em que foram transferidos para seus lotes – marcou a vida de todos.


“Ninguém aqui esquece essa data. Lá não tinha saneamento básico, quando chovia a água faltava derrubar as casas. À noite ouvíamos brigas e tiros”, lembra Marcelo Silva, 28 anos. Desempregado, o rapaz conta que a família apostou tudo para conseguir um lugar para morar. Há três anos eles passaram a viver na invasão, mas mantiveram um barraco alugado em Ceilândia para deixar os poucos pertences da família. Hoje, pagam cerca de R$ 90 nas contas de luz e água sem reclamar. “Pago satisfeita, assim é melhor que gambiarras”, afirma Lourdes.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado