Lucas Valença
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Com a intenção de cobrar explicações ao governador Ibaneis Rocha (MDB) o líder da oposição, deputado Fábio Felix (Psol), fez um discurso na tribuna do plenário da Câmara Legislativa do DF (CLDF) contra as intenções do Buriti de privatizar empresas públicas. Durante a fala, o parlamentar mostrou um áudio de Ibaneis que, durante a campanha, rechaçava acusações de que iria privatizar órgãos do Distrito Federal.
O oposicionista alega que a intenção do chefe do Executivo local de criar uma Parceria Público Privada (PPP) para gerir o metrô do DF, representa uma mudança no discurso e que, caso a privatização se concretize, a atitude configuraria uma forma de “estelionato eleitoral”. “Eu acho que com os documentos que se têm e com o discurso que o governador fez durante a campanha, isso configuraria estelionato eleitoral”, argumentou.
Critica Felix que o Governo do Distrito Federal (GDF) não abriu diálogo com os brasilienses que, segundo ele, aprovam a atual gestão do metrô. “Nós defendemos o metrô público e achamos que o governo não pode fazer isso de forma arbitrária e distante da discussão com o Legislativo e com a sociedade”, afirmou.
Confira vídeo do discurso do Fábio Felix em que o distrital expõe áudio do governador:
Ouça o áudio do governador feito durante a campanha eleitoral:
Questionado se a conduta de apresentar um áudio na tribuna não configuraria quebra de decoro parlamentar, o deputado foi enfático: “De forma alguma, a Câmara não trata desse assunto. Inclusive, vários parlamentares do Brasil apresentam áudio e vídeos na tribuna. O ideal seria que a gente pudesse colocar no vídeo na Casa para que pudessem assistir. Todos os instrumentos de multimídia reforçam a transparência”, justificou.
O deputado governista Rodrigo Delmasso (PRB) também disse não considerar que a atitude do correligionário fere o decoro, no entanto, saiu em defesa da suposta mudança de opinião do representante do Executivo. “O governador foi sábio nesse ponto (da privatização) e acho que ele precisa tentar. Ele está certo em tentar todas as soluções para melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo metrô. Acho que o governador acerta sim”, entendeu o parlamentar.
Segundo Delmasso, a iniciativa privada possui recursos para investir na melhoria da “Tecnologia e na melhoria dos trens do metrô”. “Se formou avaliar o serviço que é prestado pelo metrô, referente à qualidade do atendimento feito ao passageiro, ao cidadão, o resultado não será dos melhores. A gente sabe que os servidores se empenham muito, mas infelizmente o Estado não tem condições de manter o metrô”, disse.
A suposta quebra de promessa do governador também foi levantada pelo deputado Reginaldo Veras (PDT) que também classificou como um “estelionato eleitoral”. Para ele, quem assume compromissos de campanha “precisa honrá-los”. “Quem é que abre mão de andar de metrô para andar de ônibus? Então não é parâmetro dizer que se fizermos a concessão o metrô vai funcionar melhor. Não vai, porque os ônibus não funcionam”, ressaltou.
Lamentou a deputada Júlia Lucy (Novo) que, durante a campanha eleitoral, o governador tenha se comprometido com a não privatização do metrô, porém, disse não saber se o atual gestor conhecia a real situação do GDF enquanto candidato. “É lamentável que ele esteja passando por cima de um compromisso que assumiu, mas uma vez no cargo do Executivo, o governador não pode ser irresponsável. Ele não pode assumir compromissos financeiros que ele realmente não pode arcar”, declarou a distrital que lembrou que o metrô, segundo dados do governo, possui um acumulado de prejuízo de R$ 731 milhões.
Para ela, é preciso ser realista com relação à situação fiscal do DF. “Uma empresa que dá prejuízo retira dinheiro de políticas essenciais como saúde, educação e segurança. Esse tipo de medida é para tentar sanear a situação do DF”, defendeu.