Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com
Trocar um livro já lido por outro novo parece uma boa ideia, não é? Diversos projetos que incentivam a leitura propõem a troca aqui na capital, mas um deles promete ser diferente. A Incrível Máquina de Livros passou por dez cidades, estacionou em Brasília ontem e ficará até amanhã. Nos moldes de uma máquina de refrigerante – em que se troca a moeda por uma lata -, a engenhoca, acoplada em uma van, atrai pelos desenhos e sons, mas, em vez de receber uma bebida, o público recebe um novo livro.
Em poucos segundos, adultos e crianças se transportam ao mundo imaginário e aguardam ansiosos pela chegada de um exemplar, já que não sabem qual será o livro que a máquina irá devolver. De acordo com o idealizador do projeto, Fauze Jibran, o diferencial da Incrível Máquina é justamente o envolvimento com o lúdico. “A troca de livros já existe em muitos projetos. Buscamos contar essa história de um jeito diferente, ter a troca dos livros de forma mais mágica”, resume.
Para poder fazer o câmbio de histórias, as pessoas precisam doar necessariamente livros literários. Não são aceitos didáticos, técnicos e gibis. Ao entregar para a máquina, escolhem se querem receber livros adultos ou infantis. E pronto! Basta esperar até que a invenção devolva um novo livro.
Apesar do caráter lúdico, o projeto é para todos os públicos: seja a criança que está aprendendo a ler ou os adultos assíduos de literatura. “Nossa proposta é que seja um projeto mais democrático possível”, conta Jibran. Para isso, eles apostaram na van. “A máquina é acessível a qualquer pessoa no meio da rua. Nós vamos até as pessoas e é totalmente gratuito. Não há custo nenhum”, completa.

Fauze Jibran, idealizador do projeto. / Fotos:João Stangherlin/Jornal de Brasilia
Retroalimentação
O projeto teve início com 10 mil livros que foram selecionados com o apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Antes de chegar a Brasília, a van passou por Poços de Caldas (MG), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ) e Goiânia (GO).
Assim, a ideia é de que a máquina seja retroalimentada. “Os livros que vão entrar em Brasília sairão nas próximas cidades. Então, além da troca entre a pessoa e a máquina, vai rolar essa permuta entre as cidades”, afirma o idealizador.
A capacidade atual é de 1.200 trocas por dia. “Estamos trocando em média de 500 a 600 livros. Mas em Recife estourou: foram mil livros por dia”, levanta Jibran. Para manter a capacidade de troca, foram limitados três livros por pessoa.
A recompensa, segundo o idealizador, é ver a emoção nos rostos das crianças e dos adultos. “É legal mexer com a emoção das pessoas em poucos segundos. A criança é mais transparente. Na hora que coloca um livro e sai algo que gosta, a empolgação é contagiante. Mas o lado oposto é engraçado. Por exemplo, um menino que pega um livro de princesa. Eles fecham a cara, dizem que não gostaram. Isso é muito gostoso. O adulto é mais contido, mas também tem uma emoção, além da ansiedade”, finaliza.
Projeto atrai público variado
Se depender da dentista Ana Carolina Vieira, 39, os três filhos terão livros para ler até o fim do ano. Ela levou 17 para trocar. “Investimos na leitura desde pequenos. Todo dia lemos e temos um lugar próprio para eles lerem”, conta. A empolgação de Tito, 7 anos, Timóteo, 5 anos, e Ana, 3 anos, era contagiante. A cada livro trocado eles corriam para mostrar à mãe o novo exemplar. “Uma pena que não é um projeto fixo. Podiam voltar sempre a Brasília”, sugere.
A advogada Daniela Fioravanti, 30 anos, aproveitou o tempo que estava livre para trocar um livro. A iniciativa agradou a mulher. “É uma proposta muito legal. Acredito que o que falta no mundo de hoje é o incentivo à leitura. As crianças estão muito conectadas ao celular”, avalia.
Para ela, o diferencial do projeto está em pegar um livro desconhecido. “É uma maneira de ter uma nova leitura, mas principalmente ler algo que está fora de um padrão que você mais gosta e sempre lê”, completa.
Ela colocou na máquina um livro de poesia e recebeu em troca um romance.
Oportunidade
Diolinda Lobato, 60 anos, além da proximidade com o sobrenome de um grande escritor brasileiro, é envolvida todos os dias da semana com o mundo dos livros. A mulher é bibliotecária da Biblioteca Nacional e não poderia perder a oportunidade de trocar livros antigos com a Incrível Máquina.
“Estou muito feliz com a troca. É um ótimo projeto e ajuda a incentivar a leitura seja para cultura, lazer ou conhecimento”, conclui.
Serviço
A Incrível Máquina De Livros em Brasília
Data: Até o dia 21 de junho, das 9h às 18h
Local: Biblioteca Nacional – Esplanada dos Ministérios