Patrícia Fernandes
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Um homem calmo e trabalhador. É assim que a maioria dos vizinhos descreve o pedreiro R.C.S.N., 43 anos, acusado de abusar de 11 crianças cuidadas pela mulher dele em uma creche improvisada que funcionava na casa da família, em São Sebastião. A mulher é suspeita de conivência com os crimes e de maus-tratos às crianças. O fato que chocou todo o País abre o debate sobre a atenção que os responsáveis devem ter ao confiar os cuidados aos filhos em uma escola ou creche.
O caso conta com detalhes chocantes. Segundo a psicóloga e chefe da Seção de Atendimento à Mulher (SAM) da Polícia Civil, Érica Rodrigues, as vítimas têm relatos praticamente idênticos. “As respostas das crianças são muito semelhantes. Contaram que o ‘tio’ tirava a roupa e pedia para que as crianças pegassem em seu órgão genital”, relata.
A psicóloga afirma que os atos eram feitos na frente de todos. “Elas viam as outras crianças sendo abusadas. O fato era explícito”, declara.
Érica destaca que, em geral, o agressor sempre tem a confiança plena da criança. “A vítima confia totalmente no agressor. Como ela ainda não tem um entendimento sobre a sexualidade, percebe que tem algo errado, mas não sabe exatamente o que é. Além disso, elas sentem-se culpadas pela situação”, declara. Segundo ela, algumas crianças são mais vulneráveis do que outras. “O agressor articula toda a situação, ameaça a vítima caso ela conte para os pais”, conta.
O delegado da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), Johnson Kenedy Monteiro, um dos responsáveis pelo caso, após as primeiras denúncias, estão chegando mais relatos de vítimas do abusador. “O número de denúncias vem crescendo consideravelmente. Após verem a repercussão do crime, algumas têm se encorajado e procurado à polícia”, conta.
A prisão do suspeito ocorreu na última terça-feira. Se condenado, ele pode ficar preso por até 15 anos por cada crime.