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Erros comuns na contratação da execução do telhado e como evitar retrabalho

Redação Jornal de Brasília

22/10/2026 8h51

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A contratação da execução do telhado começa antes da chegada da equipe à obra. Uma proposta que informa apenas o preço por metro quadrado deixa perguntas importantes sem resposta: quais serviços estão incluídos, quem verifica a estrutura e como serão resolvidos os encontros com paredes, calhas e outras interferências?

Quando essas definições ficam para a montagem, surgem compras adicionais, adaptações improvisadas e desmontagens de trechos recém-executados. Em projetos residenciais, comerciais ou industriais, a prevenção do retrabalho depende de transformar expectativas em critérios verificáveis. Escopo detalhado, compatibilidade entre componentes e responsabilidade técnica ajudam a reduzir incertezas, sem substituir o acompanhamento profissional necessário.

1. Orçamento baseado apenas no preço por metro quadrado

O valor por área facilita uma comparação inicial, mas não descreve a entrega completa. Duas propostas aparentemente semelhantes podem incluir serviços diferentes: uma contempla retirada da cobertura antiga, transporte e arremates; outra considera somente a montagem das peças sobre uma estrutura pronta.

A comparação precisa partir de um escopo comum. O orçamento deve discriminar materiais, mão de obra, equipamentos de acesso, descarte, calhas, rufos, fixadores e eventuais adequações estruturais. Também deve esclarecer quem responde pelo recebimento e pela guarda dos materiais, evitando lacunas entre fornecedores e executores.

Serviços sujeitos a confirmação após a vistoria devem aparecer como condicionantes, não como despesas inesperadas. A proposta mais econômica só pode ser identificada quando as entregas são equivalentes. Exclusões pouco claras transferem decisões para o canteiro e dificultam a avaliação dos custos adicionais.

2. Contratação sem vistoria e responsabilidade técnica definida

Fotografias e medidas aproximadas ajudam no contato inicial, mas não substituem a avaliação das condições da obra. Em reformas, apoios deteriorados, desalinhamentos e interferências podem alterar o serviço previsto. Em construções novas, a estrutura executada precisa ser compatível com o projeto da cobertura.

Antes do fechamento, devem ser verificados experiência em trabalhos semelhantes, identificação da empresa ou prestador e profissional legalmente habilitado para as atividades técnicas necessárias. Também convém esclarecer quem responde pelo projeto, pela avaliação estrutural e pela execução, pois essas atribuições não são automaticamente equivalentes.

Segundo o Confea, a ART deve ser registrada antes do início da efetiva execução da obra ou do serviço técnico correspondente. Conforme a categoria profissional e as atribuições envolvidas, cabe verificar o instrumento de responsabilidade aplicável, como ART ou RRT. O documento deve refletir o escopo contratado, sem ser tratado como substituto da fiscalização.

3. Especificação incompleta dos materiais e da montagem

A descrição genérica da cobertura permite substituições que podem modificar desempenho, acabamento e manutenção. O contrato precisa identificar o sistema previsto e os componentes compatíveis, incluindo características relevantes para o ambiente, como exposição à umidade ou condições que favoreçam corrosão.

O material escolhido também condiciona a execução. Geometria das peças, apoios, inclinação e detalhes dos encontros precisam ser compatibilizados antes da compra. Na instalação de telha metálica, essas definições devem orientar a proposta de montagem, sem substituir o projeto ou as instruções específicas do fabricante. O planejamento também precisa contemplar movimentação, armazenamento e proteção das peças durante a obra.

Não existe uma solução universal para espaçamento de apoios, sobreposições ou fixações. Esses parâmetros dependem do produto, das condições de exposição e do dimensionamento. Qualquer substituição deve passar por aprovação técnica documentada, especialmente quando puder alterar peso, resistência, estanqueidade ou conforto térmico previsto.

4. Cronograma sem logística e proteção provisória

Um prazo aparentemente curto pode desconsiderar entrega de materiais, disponibilidade de equipamentos, acesso ao imóvel e condições meteorológicas. O problema aparece quando a cobertura existente é removida antes de a obra reunir condições para avançar, deixando ambientes e instalações expostos.

O cronograma deve estabelecer a sequência de desmontagem, preparação, montagem e acabamento. Em imóveis ocupados, precisa considerar circulação de pessoas, isolamento das áreas afetadas e proteção dos bens. A solução provisória contra intempéries também requer planejamento compatível com as condições do local.

As responsabilidades por atrasos e interrupções devem constar do contrato. Marcos vinculados a etapas verificáveis permitem acompanhar o avanço com mais clareza do que uma única data final. Prazos não devem incentivar improvisações nem justificar trabalho em condições inseguras.

5. Segurança tratada como responsabilidade informal da equipe

A experiência do executor não dispensa planejamento de segurança. Acesso improvisado, circulação sobre superfícies inadequadas e ausência de isolamento podem comprometer trabalhadores e pessoas próximas. A contratação deve verificar como a empresa organiza as medidas preventivas e quem acompanha a execução.

A NR-18 estabelece requisitos de segurança para atividades da construção, incluindo trabalhos em telhados e coberturas. O planejamento deve observar as normas aplicáveis, contemplando acesso seguro, proteção contra quedas e condições que exijam interrupção das atividades. Equipamentos isolados não substituem um sistema de prevenção adequado.

O contratante não deve improvisar soluções de ancoragem nem orientar procedimentos sem qualificação. A definição das medidas e a avaliação dos riscos cabem aos profissionais competentes, com responsabilidades esclarecidas antes da mobilização.

6. Entrega sem critérios de aceite e registro das pendências

Uma cobertura visualmente concluída pode apresentar detalhes ainda não verificados. Arremates, encontros com paredes, drenagem, limpeza e condições das fixações precisam integrar o aceite. A avaliação deve seguir projeto, especificações e procedimentos definidos pelo responsável técnico, sem testes improvisados.

O contrato deve prever vistoria final, registro fotográfico e relação de pendências com prazos de correção. Também precisa esclarecer garantias, canal de atendimento e documentação entregue. Instruções de manutenção e restrições de acesso ajudam a evitar intervenções posteriores incompatíveis com o sistema instalado.

Como evitar retrabalho na contratação do telhado

O retrabalho diminui quando a contratação descreve uma entrega verificável, não apenas uma atividade. Um telhado bem executado começa com decisões claras e termina com responsabilidades documentadas.

Referências

CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Anotação de Responsabilidade Técnica: ART. [s. d.]. Disponível em: https://www.confea.org.br/servicos-prestados/anotacao-de-responsabilidade-tecnica-art.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-18: segurança e saúde no trabalho na indústria da construção. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-18-atualizada-2025-1.pdf.

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