Segundo Paul Ekman, considerado o maior especialista mundial no tema, não é possível manipular ou controlar totalmente as microexpressões faciais. Isso porque elas são reações automáticas e universais, ligadas diretamente ao sistema límbico e ao cérebro emocional — e não aos sentimentos conscientes. Por esse motivo, escapam ao nosso controle e já somam mais de dez mil padrões catalogados em diferentes culturas.
As microexpressões duram apenas milésimos de segundos, entre 1/25 e 1/15 de segundo, tornando-se rápidas demais para serem “fabricadas”. Mesmo quando alguém tenta esconder emoções como raiva, medo, nojo, surpresa, tristeza, alegria ou desprezo, o corpo acaba revelando incongruências: a fala diz uma coisa, mas o rosto mostra outra.

Um exemplo simples: imagine-se diante de um leão em um safári. Nesse momento, pupilas dilatadas, coração acelerado, mãos trêmulas e rosto pálido viriam acompanhados de uma microexpressão típica do medo — olhos arregalados, mandíbula tensionada e lábios esticados em direção às orelhas. Essa descarga é imediata, fruto das reações químicas do organismo, e impossível de conter.

O que é possível, então, segundo Ekman?
Embora não seja viável eliminar ou manipular as microexpressões, é possível treinar a percepção para identificá-las nos outros. Ekman desenvolveu programas de treinamento usados por órgãos como FBI e CIA, e até inspirou a série Lie to Me.
Outro caminho é aumentar a autoconsciência. Isso não impede o surgimento das microexpressões, mas ajuda a compreender gatilhos emocionais, reagindo de forma mais estratégica depois que a emoção já se manifestou.
Quando a emoção fala primeiro
Imagine um executivo entrevistado após um escândalo financeiro. Orientado a transmitir calma e segurança, ele responde com frases ensaiadas e tom sereno. Porém, ao ser surpreendido com uma pergunta direta sobre a fraude, uma microexpressão de medo escapa em menos de um segundo: olhos arregalados, sobrancelhas arqueadas e tensão na boca. Em seguida, ele força um sorriso e afirma: “Não há nada a temer, está tudo sob controle”. Mas o rosto já revelou a verdade.
Segundo Ekman, isso ocorre porque as microexpressões são descargas involuntárias do cérebro emocional, impossíveis de suprimir totalmente.
O corpo denuncia a verdade
Essa teoria também é reforçada por Allan e Barbara Pease no livro Desvendando os segredos da linguagem corporal:
“A linguagem corporal denuncia nossos pensamentos e emoções. Dificilmente é possível manipular a forma com que nosso corpo se comunica, ou pelo menos, não por muito tempo.”
Portanto, o fingimento sempre encontra um limite. A manipulação só é possível de maneira breve e com grande esforço de autorregulação. Afinal, o corpo fala antes — e fala a verdade.