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Safras do Cerrado: gastronomia, identidade e negócios no coração de Brasília

Em sua terceira edição, o festival reuniu mais de 50 expositores e 12 vinícolas, conectando produtores, marcas e consumidores em torno da valorização da produção regional

Daiany Nasteoli

02/11/2026 11h39

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A valorização da produção local também é uma estratégia de desenvolvimento econômico. Quando produtores, empreendedores e consumidores se encontram, os produtos regionais ganham visibilidade, as marcas constroem relacionamentos e novas oportunidades de negócios podem surgir.

É nesse contexto que Brasília recebeu a terceira edição do Safras do Cerrado, festival que reuniu gastronomia, vinhos, bebidas e produtos agropecuários em uma programação voltada à valorização dos sabores e dos empreendedores da região. O evento foi realizado de sexta-feira (30) a domingo (1º de novembro), no Eixo Cultural Ibero-Americano, em frente à Torre de TV.

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O primeiro dia foi marcado por um almoço exclusivo para a imprensa, realizado antes da abertura oficial ao público, às 18h. A iniciativa permitiu conhecer a proposta do festival e conversar com alguns dos profissionais que ajudam a construir esse movimento de valorização da identidade gastronômica do Distrito Federal.

Idealizado por Juliana Noronha, presidente do Ativa Instituto, o Safras do Cerrado nasceu com um propósito claro: dar visibilidade a quem produz na região.

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“Desde a primeira edição, nasceu com um propósito muito forte de dar visibilidade aos produtores do Cerrado de vinhos, cachaça, cafés, embutidos, cervejas e chocolates. Gente, vem para cá para você ter orgulho de ser brasiliense”, afirmou Juliana durante a entrevista.

A diversidade de produtos reunida no festival evidenciou a amplitude da cadeia produtiva regional e o potencial de aproximar o público de marcas que, muitas vezes, ainda precisam ampliar seu reconhecimento no mercado.

Juliana também destacou a importância dos apoiadores para viabilizar o acesso gratuito ao evento, entre eles a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do Distrito Federal.

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“Sem eles, não seria possível fazer um trabalho 100% gratuito”, ressaltou.

Pertencimento também gera oportunidades de negócios

Para Marcos Ritter, do Vinhedo Lacustre, participar do festival representa uma oportunidade de apresentar seus produtos e fortalecer conexões com outros integrantes da cadeia produtiva.

“É uma alegria a gente estar participando do Safras do Cerrado, já na sua terceira edição. É uma oportunidade de reunir diferentes players, diferentes produtores aqui do Distrito Federal, aproveitando esse sentimento de pertencimento brasiliense que se fortifica a cada ano”, afirmou.

O produtor também ressaltou a importância de conhecer outras iniciativas que integram o setor.

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“É uma alegria a gente estar aqui podendo mostrar os nossos produtos e também conhecendo os outros pertencentes dessa cadeia de produção que se fortifica a cada ano”, disse.

A fala revela uma dimensão importante do empreendedorismo: além de apresentar produtos ao consumidor final, os eventos setoriais favorecem o contato entre empresas, ampliam a circulação de informações e criam oportunidades para futuras parcerias.

No caso do vinho, essa aproximação também contribui para ampliar o conhecimento sobre a produção regional e levar os rótulos a consumidores interessados em novas experiências gastronômicas.

“É um orgulho estar aqui no centro de Brasília ofertando nossos produtos e podendo participar desse evento que reúne gastronomia, vinhos, bebidas e produtos agropecuários”, completou Ritter.

Da experiência gastronômica ao posicionamento das marcas

A curadoria gastronômica do Safras do Cerrado foi assinada pela chef e apresentadora Leninha Camargo, responsável por conectar profissionais, ingredientes e experiências ao longo da programação.

Segundo Leninha, o almoço realizado antes da abertura oficial foi organizado especialmente para apresentar à imprensa a proposta desta edição: “Esse momento que está acontecendo agora é um momento especial, um almoço para a imprensa, que a gente recebe para mostrar como será a cara do evento”.

A programação reuniu aulas-show, oficinas, degustações guiadas e preparações desenvolvidas especialmente para o festival. A ideia foi ir além da exposição de produtos: os participantes puderam acompanhar a criação de pratos e conhecer combinações com vinhos, cervejas artesanais e cafés.

“A gente faz um prato, a gente cria um prato, esse prato é harmonizado. A gente harmoniza com os vinhos do Cerrado, cerveja artesanal, cafés e assim vai”, contou a chef.

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Essa conexão entre produto e experiência tem valor estratégico para os negócios. Ao demonstrar possibilidades de consumo, apresentar características e contar a história de cada ingrediente, produtores e marcas ampliam as chances de despertar o interesse do público.

A presença de estandes comerciais também permitiu que os visitantes conhecessem e adquirissem produtos diretamente dos expositores, aproximando produção e consumo.

Homenagem à história da gastronomia brasiliense

Um dos destaques da abertura foi a homenagem ao chef Francisco Ansiliero, reconhecido por sua contribuição à gastronomia de Brasília.

A programação contou com uma preparação especial dos chefs Moisés Costa e Luiz Trigo, inspirada na trajetória do restaurante Francisco e no legado do homenageado para a culinária da capital.

A iniciativa reforça outra dimensão da identidade gastronômica: a memória construída por profissionais que ajudaram a consolidar a cena local e a abrir caminhos para novas gerações.

Além de celebrar a história, o festival também abriu espaço para discutir o futuro do setor. Entre os encontros da programação esteve o painel “Sabores que Viram Negócio”, que reuniu Marcos Ritter e representantes de outras iniciativas gastronômicas para conversar sobre mercado e oportunidades comerciais.

O Cerrado como marca e oportunidade

Com mais de 50 expositores e 12 vinícolas, o Safras do Cerrado reuniu diferentes segmentos em torno de uma mesma proposta: ampliar a visibilidade da produção regional e aproximar os consumidores de quem está por trás dos produtos.

Para Brasília, iniciativas como essa ajudam a ampliar a percepção da cidade para além de sua função política e administrativa, destacando a diversidade de empreendedores, produtores e profissionais que movimentam sua economia.

A construção de uma identidade gastronômica regional depende justamente dessa conexão entre produção, cultura, mercado e consumidores. É ela que permite transformar produtos em experiências, experiências em reconhecimento e reconhecimento em oportunidades para quem empreende.

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