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Pais e filhos: A casa é sua?

Pragmática Psicoterapia e Cursos

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Pais e filhos: A casa é sua?
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Por: Msc. Patricia Demoly e Dr. Carlos Augusto de Medeiros

Vamos pensar nas pessoas, principalmente de classe média, que hoje têm entre 25 e 40 anos e que ainda moram na casa dos pais. Será que eles podem considerar essa casa como a casa deles? Podem arrumar a casa como querem ou simplesmente deixarem-na bagunçada? Podem mudar os móveis de lugar? Podem chegar na hora que bem entenderem? Podem sair e passar um tempo fora sem avisar? Podem levar quem quiserem para dormir em seus quartos?

Os filhos agindo dessa maneira, de quem seria essa casa, afinal? Nesse cenário, os pais podem se sentir escanteados, desprestigiados ou desmoralizados, a despeito dos inúmeros sacrifícios que fazem pelos filhos.

A relação de dominação dos filhos em relação aos pais é mais chocante porque, além da casa e do patrimônio, os proventos vêm dos pais. O que nos leva as questionar o que aconteceu com essas famílias nas quais os filhos adquiriram tanto poder.

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Existem famílias nas quais os filhos já conseguiram uma remuneração. O curioso é que muitos permanecem na casa dos pais mesmo tendo condições financeiras de sair de casa. Pode-se refletir, portanto, acerca do que os impediria de terem sua própria casa sem dependerem dos pais e, assim, terem total liberdade de fazer o que bem entenderem? Uma possibilidade seria a de não ganharem o suficiente para custear seus luxos. Sem dúvida, é muito cômodo morar com os pais e ter o salário só para si. A dependência emocional e a segurança de se estar com os pais também podem nos ajudar a entender a falta de disposição para sair de casa.

Muitos pais relatam que querem proporcionar aos filhos tudo o que não tiveram. Não conseguem imaginar os filhos passando pelo que eles passaram, como: andar de ônibus; comer em restaurantes “pé de chinelo”; não poder viajar para lugares mais longe ou caros; ficarem hospedados em albergues; não terem aparelhos eletrônicos mais modernos etc. Ao fazê-lo, tiram a oportunidade de os filhos correrem atrás das suas próprias coisas, de lutarem, de quebrarem a cara e de aprenderem, ou seja, de se tornarem mais fortes e independentes.
É importante refletir sobre qual tipo de filhos os pais querem formar. Aqueles dependentes que não sabem se virar sozinhos? Os inseguros que não buscam ou aproveitam as oportunidades? Aqueles que sempre serão dependentes? Aqueles que podem controlar?

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Parece que os pais vivem a vida dos filhos como se fosse as deles. Ou seja, os filhos satisfeitos seria o mesmo que eles próprios satisfeitos. Uma vez uma cliente minha pediu que eu me tornasse terapeuta do seu filho. Eu lhe disse que isso era impossível, uma vez que eu não poderia atender mãe e filho. Nesse caso, ela pediu para que eu parasse de atendê-la e passasse a atender o filho. Obviamente me recusei, e a levei a refletir que ela estava repetindo um padrão que provavelmente resultava nos problemas do filho que a motivaram a convencê-lo a fazer terapia.

Muitos pais se ausentam do papel de educar, ensinar limites e acabam sendo negligentes com o propósito de não magoar os filhos ou com um medo irreal de que os filhos deixem de amá-los. Diante disso, é importante pensar o quanto os pais estão preparados para que os filhos saiam de casa e o quanto os pais realmente querem que os filhos morem longe deles. Filhos independentes e morando longe representa a falta de controle, o que é insuportável para muitos pais. Em um sistema complexo de relações que se retroalimentam, temos filhos que não querem sofrer as agruras de crescer e pais que não querem lidar com a falta de controle que filhos maduros representam.

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Na realidade, também é importante pensar que tipo de pais os filhos querem ou, mais especificamente, como os filhos enxergam seus pais. A visão que os jovens têm dos pais na atualidade mudou consideravelmente. Em decorrência da postura subserviente dos pais, os filhos passaram a vê-los com aqueles que têm obrigação de prover e servir.

Os próprios conceitos de maternidade e paternidade talvez precisem ser redefinidos a partir dessas novas práticas relacionais. Sem dúvida, a postura autoritária dos pais que caracterizou o século 20 era inadequada, gerando indivíduos altamente ansiosos e depressivos. Todavia, essa inversão dos papeis também pode ter consequências sociais graves. Afinal, teremos cidadãos que demorarão a contribuir para a sociedade ou mesmo, podem nunca contribuir. Temo, que o atual contexto, produza uma legião de páreas, os quais, a despeito de terem estudado em boas escolas, não se engajem no mercado de trabalho. Talvez a doença mental do século 21 deixe de ser ansiedade e depressão, e sim, a apatia.

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