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E ao natal na pandemia? Como ficam as famílias?

Com o natal em plena pandemia, é hora de sermos criativos e inovadores para propiciar o calor no coração que essa época costuma trazer

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E ao natal na pandemia? Como ficam as famílias?
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Por Dr. Carlos Augusto de Medeiros

Em 2018, tivemos uma grande ameaça às tradicionais reuniões de família em decorrência da polarização política. Muitos familiares que se amavam simplesmente romperam relações, saíram de grupos de WhatsApp, deixaram de se falar em decorrência de discussões acaloradas sobre política. No natal de 2019, essa onda ainda reverberava, mas havia novamente a possibilidade de as famílias se reunirem nas festas de fim de ano. Quem podia imaginar que em 2020 surgiria uma pandemia (palavra hoje vulgar até então desconhecida para mim) que nos conduziria a mais um natal e réveillon longe de quem amamos.

Obviamente, a pandemia, principalmente nos últimos meses, não tem mais um efeito homogêneo sobre os comportamentos das pessoas. Provavelmente, a maioria das pessoas já passou para um isolamento social parcial, ao passo que outras vivem como se não houvesse pandemia. Parece que apenas uma minoria segue ainda as recomendações de isolamento social. Certamente, para tais pessoas, as festas terão um caráter muito mais solitário, ainda que mais responsável e seguro em tempos de 2ª onda.

No Brasil pelo menos, as festas de fim de ano, principalmente o natal, significam uma celebração em família. É o momento em que temos a chance de rever e interagir com pessoas da nossa família que costumamos ter pouco convívio ao longo do ano. Como envolve famílias, em uma população envelhecida como a nossa, certamente haverá idosos durantes as comemorações. Idosos que, muitas vezes, têm o natal como uma das poucas oportunidades no ano de rever filhos, netos e sobrinhos.

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Se o ano foi particularmente doloroso para os idosos, cujo isolamento social teve impactos muito mais dramáticos, parece até crueldade lhes ser furtada a redenção natalina. Os efeitos da pandemia sobre o natal serão mais severos ainda para aquelas pessoas que moram em estados diferentes de os de suas famílias. Viagens em aeroportos ainda são um risco que muitos não querem correr, principalmente porque encontrarão seus parentes idosos.

Novamente, teremos que nos aliar à tecnologia para driblamos essas limitações. A boa notícia é que hoje estamos muito mais bem preparados para encontros virtuais. Muitas pessoas não faziam ideia do que era Zoom, Meeting, Teams, Skype ou outras plataformas de reuniões à distância. Algumas, inclusive, não sabiam que seus notebooks tinham uma webcam e um microfone embutidos. Hoje em dia, já estamos muito familiarizados com essa tecnologia e, como um pouquinho de criatividade e boa vontade, poderemos estar, ainda que apenas virtualmente, perto de quem amamos.

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Muitas famílias brasileiras, todavia, principalmente às das classes C e D, não têm acesso aos recursos necessários para se conectarem virtualmente. Mais uma vez à margem, essas famílias vão ter que se virar de outros modos, como o bom e velho telefone, por exemplo.

Novamente, precisaremos “caçar com gato” e dar o jeitinho brasileiro para estarmos emocionalmente perto de quem amamos. A maior preocupação que devemos ter nessa hora é garantir que as pessoas que amamos realmente se sintam amadas por nós. Muitos idosos interpretam os cuidados tomados por seus familiares mais jovens como descaso, falta de interesse e disponibilidade em vê-los. Sem dúvida, devem experimentar um dos sentimentos mais dolorosos, o de rejeição.

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A rejeição cronificada também cobra seu preço, como quadros depressivos, por exemplo. A depressão na terceira idade é muito comum e provavelmente foi severamente agravada pelo isolamento social.

Não podemos nos furtar de garantir para nossos idosos que não os visitamos, ou quando os visitamos, o fazemos por pouco tempo, de máscaras e sem abraços, porque queremos o melhor para eles. Talvez, se nós os lembrarmos que eles nos diziam “o mertiolate vai arder, mas é para o seu próprio bem”, compreendam que o que estamos fazendo, no fim das contas, é porque os amamos e queremos o seu bem.

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Enfim, é hora de sermos criativos e inovadores para propiciar o calor no coração que essa época costuma trazer. Um pouco de caridade também não faz mal. Muitas famílias estão passando por muitas dificuldades devido à recessão ocasionada pelo isolamento social. Encontre alguém para ajudar. Faça doações a entidades. Doe cestas básicas. Doe para abrigos de animais. No fim das contas, Jesus, filho de refugiados, não nasceu numa manjedoura junto dos bichos à toa. Uma maneira muito bonita de se sentir em família é compartilhar com os mais humildes, parte da graça que recebemos.




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