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Por que as startups fracassam e morrem?

As Startups fracassam e morrem como qualquer outra organização, e já conhecemos alguns motivos para o fim de suas operações.

Por Prof. Manfrim 20/12/2021 8h26
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As Startups fracassam e morrem como qualquer outra organização, e já existem estudos demonstrando os principais motivos para o fim de suas operações e a frustração de falhar em inovar e empreender.

Sobreviver sempre foi o grande desfio de qualquer negócio, independentemente do tamanho, porte ou atividade desenvolvida. Crescer, geralmente é consequência ou causalidade de continuar operando.

Segundo a pesquisa “Sobrevivência de Empresas” realizada pelo Sebrae em 2020, considerando os dados da Receita Federal e pesquisa de campo, a taxa de mortalidade de algumas categorias de empresas em até cinco anos foi:

– 29% de mortalidade dos microempreendedores;

– 21,6% de mortalidade das microempresas;

– 17% de mortalidade das empresas pequeno porte.

Analogamente, um estudo realizado pela Fundação Dom Cabral em 2015 revelou os seguintes dados para as Startups:

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– 25% das startups morrem com um tempo menor ou igual a um ano;

– 50% morrem com um tempo menor ou igual a quatro anos;

– 75% morrem com um tempo menor ou igual a treze anos.

Igualmente, um estudo realizado pela aceleradora Startup Farm em 2016 com startups revelou os seguintes dados:

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– 74% fecham após cinco anos;

– 67% fecham entre dois e cinco anos;

– 18% fecham em até dois anos.

Segundo dados recentes da empresa de consultoria e auditoria PricewaterhouseCoopers Brasil (PwC Brasil), nove de dez startups brasileiras não sobrevivem mais de 2 anos, o que corresponde a 90% de mortalidade.

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Conforme pudemos observar, as startups possuem um alto índice de mortalidade, isoladamente ou, comparativamente, quando contrastadas às empresas da pesquisa do Sebrae.

Dessa forma, fica evidente que as startups não estão imunes ao desafio da sobrevivência e ao enfrentamento dos desafios organizacionais, de mercado, clientes e consumidores como qualquer outra organização.

O desafio da sobrevivência

Segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStatups), de 2015 até 2019 o número de startups no Brasil passou de 4.151 para 12.727, correspondendo a um aumento de 207%. Em novembro de 2021 esse número é de 14.136 startups.

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De acordo com especialistas e estudiosos do tema, alguns pontos de atenção devem ser considerados quando se pretende empreender no universo das startups.

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Primeiramente, eles apontam o número de sócios como um dos fatores de risco que influenciam na taxa de mortalidade das Startups.

Estudos apontaram que startups com dois ou mais sócios são mais suscetíveis a encerrarem suas atividades, por conta de problemas de relacionamento e adaptabilidade dos gestores às mudanças e necessidades do mercado.

Um segundo aspecto a ser considerado é o local de operação da startup. Quando estão operando em espaços próprios e independentes, estão mais sujeitas à mortalidade, comparativamente às instaladas em incubadoras, aceleradoras e parques tecnológicos.

O terceiro ponto a ser considerado está relacionado a problemas de testes e validação de produtos e serviços, do mercado consumidor, do modelo de negócios e de planejamento.

Por último, estudiosos e especialistas apontam também o excessivo foco na captação de investimentos em detrimento do foco no cliente e no mercado, causando uma miopia mercadológica na startup.

Os 12 motivos do fracasso

Segundo levantamento realizado pela empresa americana CB Insights em 2021, são 12 os principais motivos pelos quais as startups falham e comprometem sua sobrevivência.

De acordo com a avaliação da CB Insights, não há um motivo único e isolado determinante ao fechamento da startup, mas existe um padrão de combinação entre eles.

Vejamos as informações:

1 – Desgaste emocional e ausência de paixão

Da mesma forma que qualquer gestor organizacional, os fundadores de startups têm dificuldades em equilibrar a vida pessoal com a profissional, comprometendo a saúde mental e corporal.

O esgotamento foi indicado como um dos motivos de fracasso dos gestores e, por conseguinte, da startup.

Outro ponto emocional é a ausência ou decréscimo da paixão pelo negócio dos sócios e (ou) da equipe. As dificuldades acabam gerando desinteresse pelo negócio com o passar do tempo.

2 – Erros no Pivotar

Pivotar, neologismo derivado do inglês pivot – “girar”, é utilizado para verificar as possibilidades de direções da ideia e (ou) do negócio, bem como novas oportunidades de produtos e serviços.

Esses ‘giros’ podem mostrar estradas promissoras, como também podem direcionar a caminhos desastrosos quando o tempo, os envolvidos, o contexto e a perspectiva adotada não analisar e considerar os riscos da mudança.

3 – Startup e investidor em desarmonia

A discordância entre gestores e investidores é um problema fatal para a sobrevivência da startup, com consequente reflexo na relação interna entre os membros da equipe.

Os motivos para essa desarmonia podem ser inúmeros, tais como visões de futuro, objetivos, missão, propósito e cultura, investimentos, gestão financeira, gestão de pessoas, quebra de confiança, entre outros.

4 – Produto ou Serviço incorreto

Foi identificado que diversas startups que naufragaram ignoraram a opinião dos clientes, o que eles queriam, precisavam e desejavam para satisfazer suas necessidades.

Além disso, “prometer” e não “cumprir”, e problemas de qualidade e defeito, também compõem a equação de insucesso das startups.

Centralidade no cliente, eis o antídoto do insucesso para as startups!

5 – Janela de oportunidade perdida

O fator temporal é um dos componentes da mortalidade das startups, no sentido de acertar o ‘timing’ de colocação do produto/serviço no mercado. É um fator complexo de gerenciar!

Quando o produto/serviço é lançado muito cedo, talvez os clientes e o mercado não estejam preparados para absorvê-lo e utilizá-lo, causando incompreensão e dúvidas quanto à satisfação.

Por outro lado, se o produto/serviço for colocado no mercado tardiamente, pode-se perder a janela de oportunidade do ineditismo, diferenciação ou originalidade.

6 – Equipe da Startup incorreta

A capacidade de formar uma equipe capaz de tirar a ideia do papel e concretizar o sonho dos idealizadores, é determinante para o sucesso da startup. Diversidade na equipe, depende de cada caso!

Equipes convergentes ao propósito da startup é fundamental para evitar a morte prematura da startup, passando por questões de gestão de pessoas como recrutamento, seleção, remuneração, perfil e experiências, competências, sucessão e crescimento profissional e organizacional.

7 – Precificação do produto/serviço errônea

Estabelecer o ‘ponto ótimo’ entre custos e receita para obter lucro é um campo do conhecimento bastante valorizado nas organizações, onde as startups não podem ficar de fora.

Dessa forma, determinar o preço de venda de um produto/serviço é quase uma arte para as startups, considerando a necessidade de obter receitas para sobreviver e provar sua capacidade de gerar lucro para atrair investidores.

8 – Legislação e regulação impeditiva

A questão aqui está relacionada à criação de negócios que podem conflitar e (ou) confrontar leis e regulações vigentes.

Diversos casos de startup mundo afora se depararam com limitações e barreiras legais que inviabilizaram seus negócios e sua continuidade.

Avaliar a possibilidade de superar esses desafios e os riscos de confrontá-los são cruciais e essenciais aos gestores das startups.

9 – Modelo do Negócio inviável

Encontrar um modelo de negócio lucrativo e escalável é o sonho de qualquer startup, como também o grande pesadelo, quando não descoberto.

O desafio de monetizar uma ideia e multiplicar os ganhos com ela é o grande atrativo para investidores em startups e, para isso, o modelo de negócio é determinante na atratividade de capitalizar o negócio.

10 – Derrotado pela concorrência

Provavelmente, uma grande quantidade das startups nasceu por conta de lapsos da concorrência em atender as necessidades dos clientes, aproveitando lacunas e gaps no mercado.

Por mais que não acreditemos, diversas startups morrem por ignorarem ou negligenciarem os concorrentes após iniciarem as operações, por conta do mito de que ‘não devem prestar atenção na concorrência’, já que estão inovando em um mercado.

Qualquer produto ou serviço colocado no mercado pode aguçar e instigar outros empreendedores a concorrerem no aproveitamento da oportunidade de negócio.

11 – Não atender mais à necessidade do cliente

Entregar algo que as pessoas queiram, que estejam dispostas a pagar para satisfazer suas necessidades, é o mantra de qualquer organização. Deixar de pensar e agir com esse propósito é uma das maneiras mais eficientes de garantir a morte da startup.

Atribuída a Platão, mas, que historiadores dizem ser na verdade de um ditado anglo-saxão derivado de ‘A República’, o pensamento de mais de dois mil anos atrás já dizia: “A necessidade é a mãe da inovação”.

E, como muitas outras coisas, o tempo é um dos fatores que altera as necessidades. Daí, a importância de se monitorar constantemente os clientes.

12 – Falta de recursos financeiros

Provavelmente, os onze fatores listados acima são influenciadores na disponibilidade de recursos da startup.

Decerto, a incapacidade de convencer e atrair investidores e seus recursos financeiros determina a morte da startup.

Por outro, gestores das startups terem a consciência de que os recursos dos investidores são finitos, é essencial para uma eficiente alocação de recursos e gestão financeira do negócio.

Certamente, os motivos listados acima não esgotam o debate, mas apresentam alguns entendimentos e facilitam a compreensão do tema.

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Prof. Manfrim, L. R.

Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Compulsivo em Administração (Bacharel). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Intraempreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Pessoas, Gestão Educacional, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Marketing, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo e Futurismo.

Coautor do Livro “Educação Empreendedora no Distrito Federal”. Colaborador no Livro “O futuro é das CHICS: como construir agora as Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis”.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, Jornal de Brasília, Arena Consulting Brasil e Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. Já cruzei os oceanos da Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Nova Didáttica Educação e Desenvolvimento, Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro-SP (IMESB), Cia Paulista de Força e Luz (CPFL), Nossa Caixa Nosso Banco, Microlins SP, Sebrae DF e Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, mentorias, hackathons e pitchs: [email protected]

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