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Psicanálise da vida cotidiana

“Não foste para Pasárgada”

Somos simplesmente homens experientes que no século passado tivemos a felicidade de ter uma educação de cunho humanístico e uma visão política da nação

Carlos de Almeida Vieira

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Num belo livro de Carlos Drummond, “Uma forma de saudade-páginas de diário”, encontramos um poema do itabirano dedicado a Manoel Bandeira que diz: “Não foste embora pra Pasárgada/ Não era teu destino./ Não te habituarias lá./ Em seu território próprio, intransferível/ nem rei nem amigo do rei,/ és puramente aquele lúcido/ e dolorido homem experiente/ que subjugou seu desespero/ a poder de renúncia, vigília e ritmo”.

Nós brasileiros, somos simplesmente homens experientes (alguns) que no século passado tivemos a felicidade de ter uma educação de cunho humanístico e uma visão política da nossa Nação. Anos se passaram, governos impostos e eleitos prometeram Pasárgada e nós acreditamos, principalmente os brasileiros com déficit na Educação esperando sempre um Messias, travestido de político e com promessas salvadoras. Após o período ditatorial vieram democratas(?) até hoje, imbuídos num egocentrismo desvairado, beneficiando os parceiros da “liberal democracia?”.

Pasárgada não chegou mesmo. O que resta é um país deficitário em Educação, Saúde, Distribuição de Renda, principalmente Educação, um pilar básico, obrigatório, para que a população tenha condições de desenvolver Cultura e senso crítico na escolha de seus candidatos. Que pensamentos devemos ter, “homens experientes” de agora para frente, nessa segunda década do ano 2000?

Lembro-me das palavras de F. Nietzsche em seu livro Assim falava Zaratustra: “O presente e o passado desta terra… aah, meus amigos! Eis, nada conheço demais insuportável: e eu não poderia viver, se não fosse um visionário do que deve vir. Um vidente, um desejante, um criador, um futuro e uma ponte para o futuro – e também, até certo ponto, um aleijado no meio dessa ponte: – tudo isso é Zaratustra. E vós também vos interrogastes muitas vezes: ‘Para nós, quem é Zaratustra? Como o poderemos chamar?’ E à minha semelhança, destes as vossas perguntas como resposta”.

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Zaratustra não se faz pelas respostas, mas pelas perguntas! Que país queremos, hoje? Será que nosso futuro está baseado principalmente na economia de mercado, na evangelização fundamentalista e em governos que governam por medidas provisórias e decretos de leis? Necessitamos retomar uma educação humanizada, condições de saúde e atendimento público, cultura e aprimoramento das nossas Universidades para pesquisas científicas. Caso contrário, nadaremos em mares já navegados e sabemos que esses mares nos levam ao fundo do oceano.


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