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Destruição

Foto: Divulgação

Onde estão nossas matas, habitações indígenas?
Onde estão soterradas as nossas raízes culturais?
A poesia faleceu e deu lugar às crendices religiosas
A sexualidade perdeu o brilho da vitalidade.

Os rios mergulham sobre as casas
As barragens assassinas deixam marcas de morte
As facções presidiárias, políticas e governamentais
Pulverizam a população de mortes, doenças, epidemias e falências.

O sol da floresta não mais faz sombras
As escolas esquecem Machado, Graciliano, Josué de Castro,
Drummond, Bandeira, João Cabral de Melo Neto e tantos ícones
As escolas monitoram as mentes infantis e juvenis
Como se fossem abjetos, cabeças sem mente, corpos sem erotismo.

Onde estão os nossos direitos humanos?
Onde soterraram toda a literatura clássica?
Graciliano não pode falar em “vidas secas”
Drummond não mais pode ser lido em seu poema “A bunda”.

A tecnocracia e a religião de mercado esterilizaram os afetos.
A virgindade é a promessa de Cristo: transar para reproduzir
O namoro, a mão na mão, o beijo na testa ou na boca
São sinônimos de atos demoníacos!
[ai de nós se a serpente ao oferecer a maçã
não tivesse nos tornados Humanos]

O vazio, a depressão, a anestesia política, as drogas, os crimes
Resultado do uso e abuso do capitalismo selvagem
Desnudaram a alma poética, sublime, sublimatória
Da capacidade de usar a sublimação em artes, ciência, filosofia…

Dai-nos, Senhor, a beleza do poema, os ensinamentos dos romances,
A cultura do nosso povo, a alquimia dos indígenas, o rap da periferia,
As exposições do Belo e do Feio, as inquietações de Clarice Linspector,
As peças de teatro de fundo filososófico-humanista, as canções singelas de Caetano,
Os amores das mulheres de Chico Buarque, os gritos e sussuros de Bandeira, as obras sinfônicas Beethoven, a dissonância de Stravinski, os protestos dos jovens e alguns da classe média,
A esperança que a democracia perdure e com ela a liberdade de imprensa.

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Daí-nos Senhor, a possibilidade de o país crescer humanamente!!!








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