Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Blogs e Colunas

Aos Políticos desse Brasil!

Hoje, resolvi transcrever alguns trechos do poema – A Resposta de Jeca Tatu – declamado por Rolando Boldrin com sua nota inicial

Foto: Agência Brasília

Sábado passado assisti ao programa de Rolando Boldrin, SR.BRASIL na rede SESCTV. Eis que me deparo com um belo poema de Catullo da Paixão Cearense – A Resposta de Jeca Tatu.  Rolando, com sua sensibilidade poética e sua dramaticidade de um declamador perfeito, chamou atenção como Catullo é atual, principalmente nesse momento de descrença na ética e compromisso dos nossos políticos da Praça dos Três Poderes.

Catullo da Paixão Cearense (1863-1946), poeta, músico e compositor, nascido na cidade de São Luís do Maranhão viveu maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde trabalhou como relojoeiro e fez parte da vida dos Chorões, juntamente com Anacleto de e Catullo reabilitou o violão nos salões da alta sociedade carioca, e deixou belas composições como Luar do Sertão e sua letra de Flor Amorosa, composição de Joaquim Calado, como também uma obra poética que canta a alma sertaneja do brasileiro.

Hoje, resolvi transcrever alguns trechos do poema – A Resposta de Jeca Tatu – declamado por Rolando Boldrin com sua nota inicial, para lembrar aos nossos políticos um pouco da realidade desse Brasil Emergente! Nunca é tarde para lembrar os “compromissos de campanha”.

A Resposta do Jeca Tatu

“Como diz o cabôco: “Diz qui”, há muito tempo, um tal Senadô andô falano num jornal qualquer, qui o rocêro, o caipira, é… um preguiçôso, um indolente, um que só vive incostado… um punhado de coisas, enfim. O grande poeta Catullo da Paixão Cearense colocou, então, na boca de um desses brasileiros, lá do sertão, uma resposta… bem assim:

Seu dotô, venho dos brêdo,/ Só pra mode arrespondé/ Toda aquela fardunçage/ Qui vancé foi inscrevê!

Num teje vancê jurgano/ Qui eu sô argum cangussú!/ Num sô não, Seu Conseiêro./ Sô do norte, sô violêro/ e vivo naquelas mata,/ como veve um sanhaçu!/ Vassucê já mi cunhece: Eu sô o Jeca Tatu!…

Vancê só sabe de lêzes,/ Qui si faiz cum duas mão!/ Mais porém, nun sabe as lêzes/ Da Natureza, e qui Deus/ Fêiz prá nóis, cum o coração!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vancê nun sabe cantá/ Mais mió qui um curió,/ Gemeno à bêra da istrada!/ Vancê nun sabe inscrevê,/ Num papé, feito de terra,/ Quano a tinta é o do suó,/ E quano a pena é uma inxada!

Preguiçoso? Madracêro?/ Nhão Sinhô, seo conseiero./ É pruquê vancê num sabe/ O que seje boiadêro/ Criá cum tanto cuidado/ Cum tanto amô e alegria/ Umas cabeças de gado/ E despois, a impedemia/ Carregá tudo com os diabo/ Em meno de quatro dia.

Pru mode a politicáia/ Vancê qué que um homi sáia/ Do sertão pra vim votá/ Em Juaquim, Pedro ou Francisco/ Quando vem a ser tudo iguá…

Vassuncê sabe onde ta/ O buraco adônde véve/ O tatu esfomeado?/ Ta nos palaço da corte./ Dessa porção de ricaço/ Que fez aquele palaço/ Cum o sangue dos desgraçado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vancêis tem rio de açude/ Tem os dotô da higiena/ Que é pra cuidar da saúde…/ E nóis, o que que tem? Arresponda? No tempo das inleição/ Que é tempo das bandaiêra/ Nóis só tem uma cangáia/ Pra levá toda a porquêra/ Dos dotô puliticáia.

Vancê qué ser presidente? / Apois seja meu patrão./ A nossa terra, o Brasil / Já tem muita intiligência./ Muito homi de sabença/ Que só dá pra espertaião./ Leva o diabo a falação./ Pra sarvá o mundo inteiro/ Abasta ter coração.

Prôs homi de intiligência/ Trago cumigo essa figa – Esses homi tem cabeça,/ mas porém o que é mais grande/ do que a cabeça… é a barriga.

Sêo conseiêro … um consêio./ Dêxe toda a birbotéca/ Dos livros… e se um dia vancê quizé/ Passá uns dia de fome/ De fome e tarveis de sede,/ E drumí lá numa rede/ Numa casa de sapé./ Vá passá comigo uns tempo/ Nos mato do meu sertão./ Que eu hei de lhe abrir as portas/ Da choça e do coração.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eu vorto pros matagá

Mas porém oiça premero:

Vancê pode.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Em um mundo em que a política foi destruída pelo poder transformado em violência, a solidão é o sintoma do medo do outro que ameaça o indivíduo… A solidão é, assim, a categoria política que expressa a nostalgia de uma vivência de si mesmo.” Fragmentos de um texto de Márcia Tiburi – “Política da Solidão”, colunista da Revista Cultura.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Prezado leitor, será que o Jeca Tatu só vive no sertão? Ou estamos todos nos transformando nessa persona triste, desamparada e só, sem fé, sem sentido de família, de Estado, política social, educação e Justiça?

No momento que terminava essa matéria, um amigo meu, Professor, comunicou que o Brasil foi classificado em penúltimo lugar no mundo, num Programa de Assistência à Educação!

Carlos de Almeida Vieira Médico, Psicanalista. Membro Titular da Sociedade de Psicanálise  de Brasília, Analista Didata; Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo; Membro da Federação Brasileira de Psicanálise e Associação Internacional de Psicanálise (Londres).








Você pode gostar