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Influenciadores de baixa renda ganham destaque

Facilidade de acesso à internet alavanca novos canais

Por Danilo Strano 29/06/2022 3h40
Nath Finanças. Foto: Reprodução/Instagram

“Quero ser influenciador digital” com certeza é a frase mais ouvida quando pais perguntam para seus filhos sobre o que esperam para o futuro. A facilidade para se criar um canal nas redes sociais faz surgir milhares de aspirantes a influenciadores diariamente em nosso país. Os que chegam lá, muitas vezes falam sobre o sucesso e a riqueza que atingiram. No entanto, são poucos os que conseguem um lugar ao sol.

Os primeiros influenciadores brasileiros surgiram entre os anos 2006 e 2009, fazendo vlogs e vídeos repercutindo as principais notícias da mídia tradicional. Eles tinham algo em comum, que se manteve ao longo dos anos: o formato de dialogar com as classes média e alta, pois eram essas as que tinham acesso à internet e, consequentemente, redes sociais.

Com o passar dos anos o acesso à internet foi facilitado, e a realidade tem mudado drasticamente entre os influenciadores brasileiros. Por exemplo: até pouco tempo atrás, só existiam canais com foco em assuntos econômicos para pessoas com algum potencial de investimento — os mais conhecidos são o “Primo Rico”, de Thiago Nigro, e o “Me Poupe”, da Nathalia Arcuri. Esses perfis conseguiram milhões de seguidores, principalmente por democratizar o conhecimento sobre investir em renda variável, algo que sempre foi muito distante da sociedade brasileira. Apesar desse mérito (afinal, os números comprovam que são milhões de novos investidores no país após o surgimento desses canais), eles ainda não conseguiam dialogar com os mais pobres, grande parcela da população.

Com o aumento da pobreza dos últimos anos, canais de baixa renda começaram a conquistar views com dicas de economia. Nesse sentido, a influenciadora com maior destaque foi Nathália Rodrigues, do “Nath Finanças”. Hoje com mais de 1,2 milhões de seguidores somados em suas redes, a administradora carioca ensinou milhares de pessoas sobre educação financeira. Mas diferentemente de Nigro e Arcuri, ela não procurou falar prioritariamente com o investidor em potencial, mas sim com o brasileiro que tem dificuldades financeiras para pagar as contas, que se complicam para se manter com o nome limpo. Nath fala sobre como sacar o FGTS, como utilizar o cartão de crédito, como parcelar dívidas e de fato criar um orçamento sem falhas.

Esse fenômeno realmente veio para ficar. São muitos os canais que foram criados para dialogar com o público de baixa renda, não só para falar acerca de finanças, mas também sobre moda, cultura e entretenimento para esse segmento da população. Esse empoderamento é importante para democratizar as redes sociais, fazendo com que o cidadão de baixa renda encontre pessoas abordando temas de seu cotidiano e interesse. Isso certamente impulsiona o surgimento de novos influenciadores.

Danilo Strano é cientista político especialista em marketing de influência

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