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Governo chinês cria código de conduta para influenciadores

Medida visa regulamentar nova profissão

Por Danilo Strano 29/06/2022 4h00
Foto: Reprodução

Pesquisa recente da Business Insider estima que o mercado de influenciadores digitais movimentará 79 bilhões de reais em 2022, considerando criadores de conteúdo de todo mundo. Com números tão altos e empregando milhões de pessoas, esse mercado deve e precisa ser regulamentado. Importante não confundir regulamentação com censura, duas ações extremamente diferentes.

A regulamentação é algo que beneficia o setor, permitindo transparência na relação entre criadores de conteúdo, seguidores e profissionais envolvidos em todo sistema. Afinal, precisamos saber se quem está falando do outro lado tem autoridade, conhecimento e principalmente, direito de falar o que se propõe a comunicar. Nesse sentido, o governo chinês saiu na frente, pois entendeu a necessidade de regulamentar essa nova profissão, criando na última semana um código de conduta para os profissionais da área no país.

Com a implementação de diversas regulamentações no setor dos criadores de conteúdo, as autoridades chinesas anunciaram que agora os influenciadores devem ter qualificações necessárias para tratar de certos tópicos, como direito, medicina e finanças em seus vídeos. Isso é algo extremamente necessário e útil. No Brasil, tivemos problemas nesse sentido, com influenciadores sem formação na área da saúde falando sobre procedimentos sem comprovações científicas, o que chegou a mobilizar o Ministério Público Federal (MPF). Em outro caso conhecido, um influenciador foi preso por passar treinos de alto rendimento sem ter nenhum estudo prévio na área.

O código divulgado pelo Ministério da Cultura chinês do país tem pontos que evidenciam o autoritarismo do governo e configuram censura, proibindo os criadores de conteúdo de fazer vídeos e textos que ridicularizem o governo ou o partido comunista chinês. Esse e outros pontos certamente não deveriam ser replicados em códigos de países democráticos, mas existem diversas diretrizes que deveriam servir de exemplo.

Com o novo regulamento, as autoridades buscam “padronizar o comportamento profissional dos influenciadores, fortalecer a construção de ética profissional e promover o desenvolvimento saudável e ordenado da indústria”. Essa frase citada do código tem algo que deveria ser preocupação de criadores de conteúdo em todo mundo, somente com uma construção ética os profissionais conseguem ter segurança para trabalhar e atrair cada vez mais investimento para o setor.

Após a implementação da regra, as plataformas de streaming serão obrigadas a verificar as qualificações dos streamers com base em documentos reais antes de autorizarem a transmissão de conteúdos específicos. Isso é outro ponto de extrema importância, pois obriga as plataformas a fiscalizar o conteúdo que está sendo distribuído, somente elas têm capacidade técnica para exigir documentos e acompanhar o que está sendo veiculado em todos canais.

Claro que o exemplo Chines não deve ser apenas copiado em outros países. Como citado, existem pontos que configuram censura, o que tira a essência dos criadores de conteúdo. Mas não se pode descartar que, por outro lado, são importantes avanços na regulamentação e proteção dos influenciadores e dos seguidores.

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Danilo Strano é cientista político especialista em marketing de influência








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