Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Blogs e Colunas

Saúde mental interfere no sexo?

Estar bem consigo mesmo e pensar em estratégias que o ajudem a isso é absolutamente relevante quando falamos de saúde mental e qualidade de vida sexual

Por Lu Miranda 30/08/2023 11h35
Arte: Lu Miranda

Nesta semana, um paciente que se considerava sem solução me mandou mensagem dizendo que estava feliz, muito feliz, e que tinha encontrado alguém da idade dele com quem conseguia ter boas trocas e um sexo incrível — coisa rara, segundo seus próprios relatos. André (nome fictício) ficou na terapia durante um ano, se considerava sem perspectiva de melhora, até que ele mesmo decidiu se dar alta por achar que nunca, NUNCA, seria feliz, e caso fosse, a chance de isso incluir alguém, era muito baixa. Esse paciente tem sintomas de depressão, ansiedade e TDAH, se sentia incapaz de ter amigos e sequer tinha móveis na própria casa por acreditar que não receberia visitas. A surpresa em receber um áudio dele fez meus olhos lacrimejarem de emoção, pois, na minha concepção, ele estava, sim, melhorando, ainda que não o suficiente nas expectativas dele.

Depressão, ansiedade, transtornos de humor, TDAH, autismo, todas essas condições, dentre outras, afetam a forma como vemos e interagimos com o mundo, influenciando também nossa relação com o corpo e as emoções. Ou seja, nossa autoestima, prazer pela vida, motivações diárias, tudo isso está vinculado à saúde mental, que, por sua vez, está completamente vinculada à nossa sexualidade.

De acordo com a pesquisa Universa+ Tech4sex, 65% das mulheres consideram que a sua autoestima melhora após a relação sexual. Além disso, 52% percebem que sexo influencia positivamente no trabalho, aumenta o foco, energia e produtividade, e 40% enxergam impacto positivo na saúde mental.

Todavia, apesar da estatística, questões relacionadas a performance sexual, ansiedades, sobrecarga emocional e pouca intimidade sexual consigo mesma ainda são os maiores complicadores quando o assunto é prazer feminino. Dor na relação, baixa libido e dificuldade de chegar ao orgasmo são alguns dos sintomas que, muitas vezes, surgem devido a essas questões. Em relação ao público masculino, questões financeiras, estresse, ansiedade e depressão são os principais fatores psicológicos que afetam a vida sexual. Ou seja, disfunção erétil, ejaculação precoce e baixa libido aparecem, em grande parte, como sintoma de um problema maior, que, ao ser ignorado, pode se tornar uma questão mais relevante a ponto de atrapalhar ainda mais a sua vida.

Estar bem consigo mesmo e pensar em estratégias que o ajudem a isso é absolutamente relevante quando falamos de saúde mental e qualidade de vida sexual. Questões físicas que afetam e que precisam ser levadas em consideração, como níveis hormonais alterados, excesso de peso, dieta desequilibrada, uso excessivo de álcool e outras drogas, necessitam de atenção especial e precisam de acompanhamento médico. Apesar de saúde mental ser necessário, coerência entre corpo e mente é primordial.

Cuidar da própria individualidade, ter trocas relevantes, uma dieta equilibrada e se hidratar bastante; praticar alguma atividade física, ter conversas sinceras consigo mesmo, e lembrar que, apesar de tudo, não temos controle de nada, mas, ainda assim, somos capazes de administrar alguma coisa.

O que você pode fazer por você?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Questionar os próprios desejos, fazer terapia e olhar para si são boas formas de começar a cuidar da sua própria saúde mental. Passos pequenos, muitas das vezes parecem pouco, mas são necessários quando queremos percorrer uma longa jornada. Existirão momentos difíceis e de bastante instabilidade, mas também haverá momentos de grande prazer. Aprenda com eles! Nossa vulnerabilidade pode criar conexões incríveis com nossas parcerias. Lembrem-se: sexo é consequência, ou seja, se quer transar gostoso, cuide da sua mente, tudo começa por lá!

Indicações da semana:
Terapia do Sexo | As Sessões | Um Divã para Dois






Você pode gostar