O argentino Alejandro Mancuso, ex-volante de Palmeiras e Flamengo, vendeu diplomas falsos de treinador por R$ 100 mil, segundo reportagem de Joanna de Assis, do UOL. Entre os compradores estão Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo e Luiz Gustavo, todos com passagem pela seleção brasileira, além de Petkovic e Diego Lugano.
É uma lista que espanta pelo tamanho dos nomes e pela pequenez da escolha. Thiago Silva é um dos zagueiros mais respeitados do mundo. Roberto Carlos, campeão mundial pela seleção brasileira, é um dos maiores laterais da história do futebol. Dois currículos extraordinários que tornam o episódio ainda mais constrangedor. Como figuras dessa dimensão aceitaram uma oferta de licença profissional que prometia dispensá-los dos estudos?
Segundo a reportagem, Mancuso usava justamente o passado dos jogadores para justificar a facilidade: quem havia jogado futebol a vida inteira não precisaria fazer um curso online de três anos. Bastaria pagar, e o certificado chegaria pelo correio. É um deboche com quem economiza, estuda e cumpre as exigências para conquistar o direito de trabalhar como treinador.
Alguns compradores alegam que desconheciam a falsidade dos documentos. Isso precisa ser considerado, mas não encerra a discussão. Uma coisa é não saber da falsificação; outra é aceitar a promessa de obter uma qualificação sem cumprir a formação exigida. Não estamos falando de garotos inexperientes, mas de profissionais que passaram décadas cercados de contratos, empresários e assessores.
Mancuso deve responder pelo que fez. Mas concentrar toda a indignação no vendedor seria conveniente demais para os compradores. Fama não substitui estudo. Medalha de Copa do Mundo não vale como licença de treinador. Alex, também citado entre os envolvidos, ao menos assumiu o erro. Dos demais, espera-se uma explicação à altura da reputação que construíram. O diploma pode ser falso. O vexame é verdadeiro.