São Paulo e Boca Juniors vão disputar uma das vagas nas quartas de final da Copa Sul-Americana. A definição ocorreu na rodada desta terça-feira à noite, com a classificação dos dois gigantes para as oitavas. Pelo peso das camisas, o confronto poderia ser uma final da Libertadores — ou até uma decisão mundial. Mas será travado no segundo torneio mais importante do continente.
O São Paulo confirmou a classificação ao derrotar o Bolívar por 3 a 1, no Morumbi. Além de assegurar a vaga, o resultado encerrou um incômodo jejum de vitórias que se arrastava desde maio e trouxe algum alívio para uma temporada marcada pela irregularidade.
O Boca Juniors avançou sem dificuldades diante do modesto Deportivo Recoleta. A goleada continental, entretanto, não esconde a realidade enfrentada pelo clube na Argentina. Com apenas uma vitória em cinco rodadas, os xeneizes ocupam somente a décima posição de sua chave no campeonato nacional.
O duelo reúne dois dos clubes mais vitoriosos da história do futebol sul-americano. Juntos, São Paulo e Boca conquistaram nove Libertadores e seis títulos mundiais. Em outras épocas, um encontro entre eles seria tratado como final antecipada, cercado por tensão, estádios lotados e atenção internacional.
Desta vez, porém, o reencontro carrega um tom quase melancólico. São dois soberanos destronados, empurrados pela própria decadência recente para uma espécie de segunda divisão continental. A história permanece gigantesca, mas o presente está muito distante da grandeza construída por gerações anteriores.
A falta de continuidade, as escolhas equivocadas e os problemas administrativos cobraram seu preço. No futebol atual, tradição não entra em campo sozinha, o escudo não garante vitória e adversários mais organizados já não se intimidam com o passado.
Ainda assim, a Sul-Americana oferece aos dois clubes uma oportunidade de redenção. O mata-mata pode salvar a temporada, devolver parte do orgulho perdido e abrir um caminho de volta à Libertadores.
Para o vencedor, será a chance de começar a reencontrar o lugar que acredita merecer. Para o derrotado, restará uma conclusão dolorosa: por mais glorioso que seja, o passado já não consegue esconder o presente.