Antes de virar dono do Botafogo de Futebol e Regatas, John Charles Textor, nascido em Kirksville-EUA em 30 de setembro de 1965, ficou conhecido por seu trabalho na indústria de entretenimento, especialmente em tecnologias de efeitos visuais.
Atualmente Textor é o proprietário da Eagle Football Holdings, um conglomerado de clubes a nível mundial que conta com participações majoritárias no Botafogo, Olympique Lyonnais, RWD Molenbeek e uma participação minoritária no Crystal Palace.
Ao mesmo tempo em que devolveu o Botafogo à condição de “time grande”, resolveu comprar uma briga com a CBF, insinuando – até agora sem provas – que existe uma espécie de “máfia da manipulação de resultados” em nosso futebol.
Mas quem é essa figura que – sem falar uma única palavra em português – ocupa cada vez mais espaço na mídia esportiva brasileira? O site ICL Notícias desvenda alguns mistérios do currículo do mister Textor, e nós anotamos a seguir alguns trechos da ótima reportagem assinada pelo jornalista Lúcio de Castro:
Um quebra-cabeças ainda a ser montado
Como em toda boa trama hollywoodiana, existem mistérios na jornada do herói John Textor. Lacunas de um quebra-cabeças ainda a ser montado.
É no rastro da infinidade de documentos públicos produzidos em mais de duas décadas que esse personagem é revelado por inteiro. Os registros estão por toda parte. Nos tribunais americanos, nos processos da Comissão de Valores Mobiliários, no histórico de falências, em instituições da burocracia da Flórida, nas denúncias por ser o mentor de pirâmides financeiras.
Ele foi o CEO da Digital Domain, de 2006 a 2012, uma empresa de animação digital, que, entre outras façanhas, produziu efeitos visuais para o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, ganhador do prêmio de efeitos visuais no Oscar em 2009.
Mas a Digital Domain deixou um rastilho de processos contra John Textor e se espalhou pelo país. Nas cortes de Delaware, Nova Iorque, Califórnia e Flórida, investidores denunciaram Textor e a empresa por fraude. Em uma dessas ações, no Tribunal Distrital da Califórnia, um ex-sócio revelou que o famoso diretor de Hollywood, Michael Bay, descobriu que estava sendo enganado por Textor e vendeu suas ações.
E acima de tudo, nas conexões. Entre elas, uma sombra indelével: a onipresença de milionários ligados às oligarquias russas. E uma rede de negócios extensa. Extensa e intricada.
No fim dessa história, depois de passarem por diversos países e paraísos fiscais, a imensa teia se conecta em um só lugar. Um pacato endereço de Basileia, Suíça.
Questões foram enviadas pela reportagem para Textor em diferentes ocasiões, através da assessoria de imprensa da SAF Botafogo, por telefone e e-mail, assim como para a Eagle Football, sempre sem resposta.

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