A derrota de 3×0 para o Palmeiras na Copa do Brasil expôs mais uma vez um problema que vai muito além do resultado dentro de campo: a ausência recorrente de Neymar justamente quando o Santos mais precisa de sua principal estrela.
A ausência era anunciada e absolutamente previsível. Neymar não gosta de atuar em gramados sintéticos e, por isso, ficou fora de mais um confronto no estádio do Palmeiras. Não se trata propriamente de um direito do jogador, mas de uma vontade acolhida pelo clube. Afinal, as competições brasileiras permitem esse tipo de piso, presente também em outros estádios do país.
A questão se torna ainda mais grave quando se considera o tamanho do investimento feito pelo Santos. Neymar é o jogador mais bem pago do futebol brasileiro. Pelas estimativas divulgadas pela imprensa, seu acordo, somados salário, direitos de imagem e receitas publicitárias, pode proporcionar rendimentos próximos de R$ 20 milhões por mês.
É um contrato absolutamente desproporcional à realidade do futebol brasileiro — sobretudo para um clube que enfrenta dificuldades financeiras e já acumula dívidas milionárias com o próprio jogador.
Na prática, estabeleceu-se uma relação difícil de explicar: o Santos finge que paga, porque atrasa seus compromissos, e Neymar finge que joga. Entra em campo contra adversários de menor expressão, eventualmente marca um gol ou oferece uma assistência, mas desaparece dos compromissos de maior peso.
Os números dos clássicos disputados fora de casa desde seu retorno são constrangedores. De nove partidas possíveis, Neymar participou de apenas uma, contra o Corinthians, pelo Campeonato Paulista de 2025. Ficou fora de outros oito confrontos diante de Corinthians, São Paulo e Palmeiras, entre jogos do Estadual, do Brasileirão e da Copa do Brasil.
Para o atleta mais caro, badalado e influente do futebol nacional, trata-se de uma participação insignificante. Neymar deveria ser a solução técnica e emocional do Santos nos grandes jogos. Em vez disso, transformou-se numa ausência previsível.
O problema não é apenas ficar fora de uma partida por causa do gramado sintético. É tornar habitual a ausência nos momentos decisivos. O torcedor santista vê Neymar nas campanhas publicitárias, nas redes sociais e nos anúncios comerciais. Quando chega a hora dos grandes clássicos, porém, quase sempre precisa procurá-lo fora de campo.
Hoje, por mais duro que pareça, Neymar é o jogador mais caro e menos útil do Santos. Seu nome continua gigantesco. Sua contribuição ao time, infelizmente, é cada vez menor.