Se existe lei do karma no futebol, ela resolveu trabalhar expediente completo na final de ontem. Danilo, zagueiro experiente, veterano de Copa, homem de confiança de Filipe Luís e de Carlo Ancelotti, fez simplesmente tudo: marcou gol, salvou outro no último minuto e saiu de campo como o craque da partida. Jogou como se tivesse contrato vitalício com a palavra “decisão”.
E aí vale lembrar — com aquele sorrisinho maroto — o episódio de 26 de outubro, quando vazou o comentário de Zé Elias no microfone aberto da ESPN. O ex-jogador, hoje comentarista, disse que Danilo “não joga nada”, que estava em fim de carreira e que “veio pra roubar”. Na época, eu mesmo escrevi que esse verbo “roubar”, no dicionário boleirês, não tem nada a ver com crime, é só aquele exagero de resenha que eles usam há décadas. Mas, dito ao vivo, virou munição.
Pois bem: Danilo ouviu? Talvez. Importou? Talvez menos ainda. Respondeu? Aí entra a parte bonita do karma: respondeu da forma mais elegante possível — calado. Nem tocou no assunto, mesmo provocado. Deixou a lida pesada para as traves do Palmeiras, que tiveram trabalho para não desabar com a atuação dele.
Enquanto isso, a vida ensinou a sua moral: no futebol, o microfone pode até estar aberto — mas a boca de quem realmente decide fica fechada. E as respostas, quando vêm, vêm em forma de gol, carrinho salvador e taça levantada.
Ontem, Danilo não “roubou”. Ele entregou tudo. E ainda deixou troco.