O mesmo grupo que estava interessado em comprar uma participação no negócio comercial da FIFA agora participa de uma operação que avalia o Los Angeles Lakers em US$ 12,5 bilhões. A comparação chama atenção: uma única franquia da NBA vale, nessa negociação, quase dois terços dos US$ 20 bilhões atribuídos pela FIFA à empresa que reuniria os direitos comerciais de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo.
Segundo o The New York Times desta quinta-feira (13), Joshua Kushner é o elo entre os dois negócios. Seu grupo de investimentos figurava entre os interessados na FIFA Forward Enterprise, empresa que a entidade pretendia criar para concentrar receitas de transmissão, patrocínios, licenciamento, bilheteria e hospitalidade.
A FIFA avaliava toda essa estrutura em US$ 20 bilhões e pretendia vender uma participação de 20% a investidores privados por aproximadamente US$ 4,2 bilhões. O projeto, porém, enfrentou forte resistência internacional, principalmente da UEFA e de suas 55 federações, e acabou não avançando.
Agora, Kushner aparece no grupo que chegou a um acordo para assumir o controle dos Lakers, ao lado do ex-presidente da Disney Bob Iger. A operação atribui à equipe de Los Angeles valor de US$ 12,5 bilhões e ainda depende da aprovação do Conselho de Governadores da NBA.
É justamente a presença do mesmo investidor que torna a comparação ainda mais provocativa.
Os Lakers são apenas uma das 30 franquias da NBA. Mesmo assim, seu valor corresponde a 62,5% daquele atribuído pela FIFA a uma estrutura que teria como principal ativo comercial a Copa do Mundo, além das demais grandes competições organizadas pela entidade.
A diferença entre as duas avaliações é de somente US$ 7,5 bilhões. Ou, olhando pelo outro lado, todo o negócio projetado pela FIFA foi avaliado em apenas 60% a mais do que uma única equipe de basquete.
Naturalmente, são ativos diferentes e os valores não podem ser tratados como equivalentes do ponto de vista financeiro. Mas a comparação ajuda a dimensionar o tamanho da operação que estava sendo discutida dentro do futebol mundial.
E produz uma fotografia difícil de ignorar: o investidor que pretendia colocar dinheiro no gigantesco negócio comercial da FIFA agora participa de uma operação de US$ 12,5 bilhões por apenas um time da NBA.