O Flamengo venceu o Independiente del Valle por 2 a 0, em Quito, e encaminhou a classificação para a semifinal da Libertadores. Mas o resultado desta quinta-feira chama atenção para algo ainda maior: pela primeira vez na história, a principal competição da América do Sul pode ter quatro clubes de um mesmo país entre os quatro semifinalistas.
E todos seriam brasileiros. Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Fluminense chegam aos jogos de volta com possibilidades concretas de avançar. O Flamengo talvez esteja na situação mais confortável, porque ganhou na altitude e agora decide no Maracanã. O Corinthians arrancou um empate heroico diante do Estudiantes, na Argentina, e terá a Fiel ao seu lado na decisão. O Palmeiras fez apenas 1 a 0 na LDU e, por isso, parece ter uma margem mais apertada. Já o Fluminense venceu o surpreendente Platense e também está vivo na briga.
O Platense, aliás, é uma espécie de Mirassol do futebol argentino: um intruso que aproveitou o espaço deixado pelos gigantes. River Plate e Boca Juniors, símbolos históricos da força argentina na Libertadores, estão fora desse caminho, enquanto os brasileiros ocupam cada vez mais território na principal competição continental.
Nos últimos anos, já tivemos finais exclusivamente brasileiras, algo que provocou muitas reclamações dos argentinos. Fala-se em dinheiro, desigualdade econômica e fair play financeiro. Só que durante décadas ninguém parecia muito incomodado quando a Libertadores era dominada por argentinos e uruguaios. Boca, River, Independiente, Nacional e Peñarol construíram suas hegemonias quando o futebol brasileiro ainda buscava espaço maior no torneio.
Agora a roda girou. Os clubes brasileiros têm mais dinheiro, melhores estruturas, elencos mais profundos e passaram a tratar a Libertadores como prioridade absoluta. Não se trata apenas de uma boa geração de equipes. Existe uma mudança de poder no futebol sul-americano.
Se Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Fluminense confirmarem suas classificações na próxima semana, a Libertadores viverá uma semifinal inédita, transformada praticamente num campeonato brasileiro. E aí não haverá argumento capaz de esconder o tamanho da supremacia que o Brasil alcançou no continente.