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Gianni Infantino ligou. Donald Trump não atendeu 

Presidente da Fifa cultivou uma relação de extrema proximidade com Trump. Acreditou que, se algum dia precisasse de um aliado poderoso, bastaria fazer uma ligação para a Casa Branca. Descobriu que não era bem assim

Marcondes Brito

04/08/2026 5h18

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Quem nunca passou por isso? Você acredita que encontrou um amigo para todas as horas. A pessoa faz promessas, garante que estará ao seu lado, participa das comemorações e parece disposta a ajudar no que for preciso. Mas basta surgir um problema sério para o telefone tocar sem resposta. A mensagem fica sem retorno. Você insiste mais uma vez e percebe que o silêncio é, na verdade, a resposta.

Foi exatamente essa experiência que Gianni Infantino acaba de viver.

Durante anos, o presidente da Fifa cultivou uma relação de extrema proximidade com Donald Trump. Os dois apareceram juntos em diversos eventos ligados à Copa do Mundo de 2026, trocaram elogios públicos e deram a impressão de que mantinham uma parceria sólida. Infantino acreditou que, se algum dia precisasse de um aliado poderoso, bastaria fazer uma ligação para a Casa Branca.

Descobriu que não era bem assim.

Depois do fracasso de seu ambicioso plano de vender parte dos ativos comerciais da Copa do Mundo a um fundo de investimentos ligado ao empresário Josh Kushner, irmão do genro de Trump, o dirigente suíço passou a enfrentar uma das maiores crises de sua gestão. A pressão das confederações aumentou, Alemanha, Inglaterra e País de Gales começaram a abandonar o apoio à sua permanência no cargo, e a própria sucessão na Fifa entrou no radar.

Foi nesse momento que, segundo o New York Post, Infantino tentou recorrer ao presidente americano. Ligou mais de uma vez. Queria discutir a crise e buscar uma manifestação pública de apoio. Não conseguiu falar com Trump.

O episódio vale mais pelo simbolismo do que pelo telefonema em si. Infantino imaginava ter construído uma amizade. Na prática, descobriu que talvez tivesse apenas uma relação de conveniência.

Essa sempre foi uma das características mais marcantes de Donald Trump. Suas alianças costumam durar enquanto produzem resultados políticos, eleitorais ou econômicos. Quando passam a representar desgaste, o pragmatismo fala mais alto que a lealdade. Não é a primeira vez que antigos parceiros descobrem isso. Provavelmente também não será a última.

Infantino errou ao acreditar que a proximidade dos holofotes significava proximidade nas horas difíceis. Fotos, sorrisos e discursos são importantes enquanto tudo vai bem. Mas amizades verdadeiras costumam ser testadas justamente quando a crise chega.

A ironia é que o presidente da Fifa passou anos tentando transformar o futebol em um instrumento de influência política global. Agora, percebe que, na política, o jogo é outro. E uma das primeiras regras é não confundir interesse com amizade.

No fim, a cena é muito parecida com aquela que tanta gente já viveu na vida. O telefone toca. Ninguém atende. A mensagem fica sem resposta. E só então se descobre que aquele amigo talvez nunca tenha sido amigo de verdade.

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