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Cruzeiro conquista a América numa final que merecia o continente inteiro olhando

Corinthians e Cruzeiro deram dimensão continental a um confronto cada vez mais importante no futebol feminino brasileiro

Marcondes Brito

01/11/2026 5h30

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Quem olhou o placar de 3 a 0 para o Corinthians e decidiu fazer outra coisa perdeu uma dessas noites que justificam a paixão pelo futebol. Na primeira participação na Libertadores Feminina, o Cruzeiro resolveu que estrear já seria pouco. Precisava conquistar a América. E escolheu o caminho mais improvável para isso.

As Cabulosas buscaram a reação, sofreram o quarto gol, voltaram a perseguir o resultado e chegaram ao empate por 4 a 4. Nos pênaltis, venceram por 5 a 4. Diante delas estava o maior campeão continental, dono de seis títulos e de uma experiência que parecia suficiente para administrar tamanha vantagem. Parecia. 

É possível olhar essa decisão pelo tamanho do desperdício corintiano. Uma equipe com esse currículo terá muito a explicar sobre uma taça que escapou quando já parecia encaminhada. Mas reduzir a conquista mineira ao fracasso adversário seria negar ao Cruzeiro o principal mérito da noite: continuar disputando uma final que tanta gente provavelmente já considerava encerrada.

Corinthians e Cruzeiro deram dimensão continental a um confronto cada vez mais importante no futebol feminino brasileiro. Desta vez, a experiência das Brabas encontrou uma equipe disposta a desafiar também a lógica. A camisa mais vitoriosa impõe respeito. Não encerra uma partida.

A taça mudou de endereço, mas permaneceu no mesmo país. Com a conquista cruzeirense, o Brasil chegou a 15 títulos em 18 edições da Libertadores Feminina. Apenas três vezes o campeão veio de fora. A supremacia que os clubes brasileiros vêm exercendo na competição masculina encontra, entre as mulheres, uma expressão ainda mais contundente. 

Há, porém, uma distância incômoda entre a força desse futebol e a capacidade do torneio de atrair torcedores. A edição disputada em Quito conviveu com arquibancadas praticamente vazias. Às vésperas da decisão, uma reportagem pelas ruas da cidade encontrou pouca divulgação e moradores que mal percebiam a realização da principal competição feminina de clubes do continente. 

Uma final dessas deveria ajudar a mudar esse cenário. O espetáculo precisa ser anunciado, aproximado do público, tratado como um evento que vale a presença. Não basta reunir boas equipes em uma sede e esperar que o interesse apareça sozinho. A Conmebol tem responsabilidades que começam muito antes do apito inicial.

O Cruzeiro saiu de sua primeira Libertadores com uma taça e uma história para contar por gerações. O futebol feminino sul-americano ganhou uma decisão capaz de conquistar novos torcedores. Cabe a quem organiza o torneio fazer com que eles estejam por perto na próxima.

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