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Brasileiro já conhece mais os 11 do STF do que os 11 da Seleção

Faça o teste. Pergunte quem são Alexandre de Moraes, André Mendonça, Edson Fachin, Gilmar Mendes ou Flávio Dino. Muita gente saberá responder. Agora peça para escalar a Seleção Brasileira

Marcondes Brito

08/09/2026 5h24

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Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

Houve um tempo em que o brasileiro sabia de cor a escalação da Seleção Brasileira e dificilmente conseguiria citar o nome de três ministros do Supremo Tribunal Federal. Hoje, talvez aconteça exatamente o contrário.

Faça o teste. Pergunte quem são Alexandre de Moraes, André Mendonça, Edson Fachin, Gilmar Mendes ou Flávio Dino. Muita gente saberá responder. Agora peça para escalar a Seleção Brasileira. Provavelmente aparecerão dúvidas até sobre quem são os titulares.

É uma mudança impressionante para um país que durante décadas praticamente parava quando a Seleção entrava em campo. Pelé, Garrincha, Tostão, Rivelino, Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho. Os craques da camisa amarela não eram apenas jogadores. Faziam parte do cotidiano e do imaginário popular brasileiro.

E esta semana oferece uma coincidência perfeita para medir o tamanho dessa transformação.

De um lado, o STF atravessa uma crise interna raríssima, com Alexandre de Moraes e André Mendonça em rota de colisão e o presidente da Corte, Edson Fachin, tentando administrar o confronto. Depois de acusações, relatórios e pedidos de investigação, existe até a possibilidade de uma reunião reservada dos ministros para discutir a crise. Em bom português: uma lavagem de roupa suja entre alguns dos personagens mais conhecidos do Brasil atualmente. 

Do outro lado está a Seleção Brasileira. Também nesta semana, na quarta-feira, Carlo Ancelotti anunciará os 26 jogadores da primeira convocação depois da Copa do Mundo, abrindo oficialmente um novo ciclo de preparação para 2030.

É aí que a comparação fica irresistível.

Durante décadas, os onze da Seleção estavam na ponta da língua. Os onze do Supremo, quase ninguém conhecia.

Hoje, os onze ministros do STF viraram personagens cotidianos do noticiário, enquanto os onze da Seleção já não ocupam o mesmo espaço na memória — e talvez nem no coração — do brasileiro.

Isso não significa que o Brasil tenha deixado de gostar de futebol. Os clubes continuam mobilizando multidões, paixões e audiências gigantescas. O que se perdeu foi parte daquela ligação quase automática entre o brasileiro e a camisa amarela.

Nesta semana, Brasília discute Moraes, Mendonça, Fachin e os outros ministros. Ancelotti tenta apresentar ao país os novos personagens da Seleção.

Há algumas décadas, qualquer brasileiro sabia quem eram os onze que entrariam em campo pelo Brasil e poucos sabiam quem eram os onze ministros do Supremo.

Hoje, talvez seja exatamente o contrário.

O país do futebol mudou de campo.

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