Mal comparando com a política, a lista de indicados à Bola de Ouro da revista France Football colocou o futebol brasileiro mais ou menos na posição de Ronaldo Caiado e Romeu Zema na corrida presidencial: tem candidato, faz barulho, fala grosso, tenta demonstrar prestígio, mas, na hora de olhar para a disputa de verdade, a chance de chegar sequer ao segundo turno é mínima.
No futebol masculino, o Brasil colocou três nomes entre os 30 indicados: Vinicius Júnior, Gabriel Magalhães e Marquinhos. Três jogadores de primeira linha, atuando em gigantes da Europa, mas nenhum deles aparece hoje no pelotão realmente forte da disputa pelo prêmio de melhor jogador do mundo.
E aí está o ponto preocupante. Não temos sequer um “Augusto Cury” na Bola de Ouro. Um brasileiro que, independentemente de ganhar ou perder, esteja efetivamente na briga, apareça entre os favoritos e obrigue os adversários a olhar pelo retrovisor. Temos candidatos, mas não temos candidatura competitiva.
Vini Jr. é quem carrega o maior peso individual entre os três, até pelo que já fez nas últimas temporadas. Mas chega à disputa de 2026 bem distante do favoritismo. Gabriel Magalhães e Marquinhos, além de não aparecerem entre os principais nomes cotados para o prêmio, carregam a dificuldade adicional de serem defensores — posição que raramente conquista a Bola de Ouro.
A comparação com a política é apenas uma brincadeira, claro, mas ajuda a dimensionar o problema. Durante décadas, o Brasil se acostumou a entrar nessas eleições para ganhar. Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká conquistaram a Bola de Ouro. Mais recentemente, Vini Jr. voltou a colocar o país no topo. Desta vez, porém, estamos mais para candidatura de afirmação do que para candidatura de poder.
Uma goleira está bem na foto
Curiosamente, a esperança mais concreta pode estar no futebol feminino. Lorena aparece entre as indicadas à Bola de Ouro feminina e também disputa o prêmio de melhor goleira. Espetacular na posição e cada vez mais reconhecida internacionalmente, a jogadora do Kansas City-EUA ela talvez represente hoje a candidatura brasileira com maior possibilidade de transformar indicação em troféu.
É uma inversão interessante. Enquanto no masculino temos três nomes, mas nenhum favorito, no feminino uma goleira pode ser quem coloque o Brasil mais perto do pódio.
Na eleição da France Football, portanto, o Brasil tem chapa, tem candidato e tem campanha. O que está faltando é voto. No masculino, pelo menos por enquanto, não chegamos nem ao segundo turno.