Carlo Ancelotti anunciou nesta quinta-feira (29) a convocação para os amistosos contra Japão e Singapura. Poupou Flamengo e Palmeiras de desfalques na reta final do Brasileiro. Uma gentileza com quem disputa um título enquanto a seleção procura um rumo.
Duas coisas chamam a atenção nessa lista. A primeira é a quantidade de jogadores dos quais a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar. Não estou falando de nunca ter visto jogar. Isso, nos tempos atuais, talvez fosse pedir demais. Estou falando de nunca ter ouvido o nome.
Ser desconhecido não é defeito, muito menos prova de falta de talento. Mas a sucessão de experiências dá a impressão de que Ancelotti está numa espécie de voo cego: chama, observa, troca e tenta descobrir quem poderá sustentar a seleção no próximo ciclo.
A segunda é a informação de que a CBF busca adversários europeus para as Datas Fifa de março e junho de 2027. Parece um reconhecimento, ainda que indireto, de que o período depois da Copa poderia ter sido mais bem aproveitado. Renovar é necessário. Testar essa renovação em jogos que realmente exijam alguma coisa também.
Vai chegar a hora de tirar as crianças da sala. Quando o adversário apertar e o resultado tiver consequências, a seleção precisará de gente capaz de assumir a responsabilidade.
O problema é que os adultos de Ancelotti são, em boa parte, os mesmos que já nos trouxeram seguidos fracassos em competições oficiais. Os novos ainda precisam mostrar a que vieram. Os antigos precisam mostrar por que continuam.