Os danos materiais causados pela desajeitada mala de rojões que assustou a República podem não ter sido tão grandes. Mas os efeitos políticos foram. Se ainda havia algum sonhador que imaginava a possibilidade de uma anistia, talvez até inspirada por Trump, pode deixar a bobagem de lado.
Como disse o ministro Flávio Dino, não foi uma mera bombinha, mas um atentado contra a legalidade e a Constituição. Ou seja, abre caminho para outros.
Os extremistas, vamos lembrar, já chegaram a colocar em caminhões explosivos capazes de danificar seriamente o aeroporto de Brasília. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, tem em mãos um e-mail com ameaças concretas, e possivelmente mais efetivas, contra o edifício do Supremo Tribunal Federal, alvo também do confuso terrorista de dois dias atrás.
Gabinete do ódio
Mais importante definição de todas, disse o ministro Alexandre de Moraes que “o que ocorreu não é fato isolado do contexto. “Queira Deus que seja um ato isolado, mas no contexto é algo que se iniciou lá atrás, com o famoso gabinete do ódio destilando discursos contra instituições, o Judiciário e principalmente o STF.
Contra as pessoas dos ministros do STF e os familiares de cada um, isso foi se avolumando, agigantando, aumentando o descrédito nas instituições, resultando no 8 de janeiro”. Tudo isso, completou o ministro, fez com que o atentado a bomba reforce a necessidade de eliminar qualquer possibilidade de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro, bem como a necessidade de regulamentação das redes sociais”.
Mais claro, impossível. A não ser que haja um terremoto político, nada de anistia e, se for possível, a aprovação do projeto, já execrado pelos bolsonaristas, que regulará as redes sociais. A propósito, Moraes foi designado – surpresa -relator do inquérito sobre explosões.
Ação rápida
Na hora da explosão, a governadora em exercício Celina Leão deslocava-se de um evento social para outro. Agiu rápido. Interrompeu o percurso.
Acionou não só as instituições policiais, mas também o ministro da Justiça e os presidentes da Câmara e do Senado, acompanhou cada passo da ação, inclusive as vistorias dos carros estacionados na região, e organizou a mobilização ao longo da noite. De quebra, ampliou o efetivo policial para a guarda do Congresso.