Levantamento feito pela área de comunicação do Governo concluiu que, durante este primeiro ano de Lula no Planalto, a maior parte de mídia negativa se originou dos pequenos ministérios entregues a áreas mais ideológicas dos partidos que integram a administração.
Aparecem nesse capítulo os ministérios da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos, dos Povos Originários e do Desenvolvimento Agrário. Todos eles, exceção feitas ao Desenvolvimento Agrário, couberam a alas ideológicas do PSOL e do PT, com quadros considerados improvisados, sem traquejo político, o que levou a desastres de imagem como a fatídica viagem da ministra Anielle Franco ao Maracanã, com ataques de assessoras a torcidas. O erro aí foi atribuído a absoluto despreparo das equipes, compostas por pessoas reconhecidas como “sem noção”.
Isso, aliás, se estendeu a ministérios mais amplos, como o da Saúde, caso do episódio conhecido como “Baticu”, pelo qual igualmente foi responsabilizado por um militante nomeado por critérios identitários e não profissionais.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário aparece na lista apenas pelo descontrole inicial do MST, mas – ao contrário dos outros – soube reagir com eficiência e sumir das áreas de atrito. Na verdade, o mapeamento não surpreendeu, por atender a um critério adotado pelo presidente Lula desde 2003, quando criou microministérios para alas fortemente ideológicos e reservou as áreas-chave para escolhas profissionais, como fez em toda a área econômica e em outras mais caras ao governo, como o desenvolvimento social. Para a comunicação do Planalto, essas encrencas são o maior contratempo: a economia vai bem, as obras estão avançando, os programas sociais voltam a funcionar, mas quando menos se espera surge um acidente tolo e gratuito para desencadear péssima repercussão.
Alertas ainda válidos
A questão da falta de profissionalismo foi constatada em outros ministérios, criaram atritos absolutamente desnecessários, mas foram contornados e desapareceram em função das reações internas eficientes.
Um exemplo pode ser dado pela circulação da Dama do Tráfico pelo Ministério da Justiça, que não ocorreria se os interlocutores contassem com maior preparo administrativo. A questão foi solucionada com perícia pelo ministro Flávio Dino, o que não aconteceu quando o mesmo problema foi detonado na vizinhança do também ministro Sílvio Almeida.
Outro caso de atrito dispensável foi verificado no Ministério da Educação, outro que está nas mãos de profissionais experientes. As questões ideológicas e ultrapassadas do ENEM causaram mais atritos dispensáveis, mas igualmente foram retiradas da mídia.
Também se identificaram problemas nos ministérios do Turismo e das Comunicações, mas estes se deveram mais às pessoas dos ministros do que a falhas de suas equipes. Por falar em atritos, o Ministério do Meio Ambiente pode disputar os primeiros lugares, mas isso é justificado no governo, por fazer parte da programação. Os sucessivos e crescentes atritos já eram previstos. Fazem mal à avaliação do governo, mas, atendendo a uma linguagem em alta dentro do próprio Palácio do Planalto, já estavam precificados.