Houve quem estranhasse a estratégia eleitoral de Guilherme Boulos: campeão de votos como deputado federal na eleição passada, ele concorreu a prefeito de São Paulo a pedido de Lula, perdeu, virou ministro-chefe da Secretaria-Geral e lá ficou.
Ao contrário de quase todos os demais ministros, não deixou o cargo para se candidatar este ano. Ficou em um ministério sem orçamento, cuja única função é turbinar movimentos sociais, tendo como prêmio estar instalado a alguns passos do gabinete — e do ouvido — do presidente Lula.
Agora, porém, a estratégia se tornou pública. Quem disputará a cadeira de Boulos é sua mulher, Natália Szermeta Boulos (foto), referendada pelo PSOL nesta segunda-feira.
Mas não se diga que Natália é candidata por ser mulher de Boulos. Ela gravou seu primeiro vídeo desse período eleitoral avisando que começou sua carreira aos 15 anos, ao criar um grêmio na escola, é advogada, dirigente partidária nacional, presidente da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, do PSOL, e que há muito tempo conheceu o MTST, dos trabalhadores sem-teto, “que passou a ser minha grande família de lutas”.
Completou: “sou, sim, mulher de Boulos, sua companheira e compartilho papel histórico. Então, deixe-me apresentar direito, assim fica fácil imaginar quanto de machismo já sofri”.