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PT apostará em coligações

Por isso, diz, o PT precisa investir na amplitude de suas alianças, procurando incorporar partidos como o PSOL

Por Eduardo Brito 26/01/2022 5h05

Pré-candidato ao Palácio do Buriti pelo PT, o ex-deputado e ex-secretário Geraldo Magela acredita que o caminho para seu partido está, em primeiro lugar, conseguir unidade e, em seguida, compor uma coligação ampla, utilizando em especial o mecanismo da federação partidária. Reconhece que o atual governador Ibaneis Rocha parte de uma posição de força. Acredita ainda que haverá ao menos três chapas na disputa real, eventualmente mais.

Por isso, diz, o PT precisa investir na amplitude de suas alianças, procurando incorporar partidos como o PSOL, que vem mostrando bom desempenho no Distrito Federal. “Estamos em um momento de jogar xadrez, em que precisamos estudar o movimento dos outros e fazer jogadas cautelosas”, ensina.

Referência é nacional

Magela reconhece que a autonomia das direções regionais do PT será muito relativa no período eleitoral deste ano. O ex-presidente Lula já avisou que o projeto petista agora será substituir Bolsonaro no governo e que as demais ações estarão subordinadas a esta. Essa é uma condicionante não apenas às candidaturas do partido, mas também às coligações que Magela considera tão desejáveis quanto impositivas. Isso inclui o que ele chama de “PSDB da Constituinte”, mais à esquerda que o tucanato dos últimos anos. Por isso, o ex-deputado mantém sua pré-candidatura, sabendo que depende das decisões de Lula e do diretório nacional, mas com um adendo: depende também da militância e sabe perfeitamente que esta é favorável à candidatura própria.

Todos de olho no Supremo

As cúpulas partidárias do Distrito Federal já estão de olho no Supremo Tribunal Federal, que em meados de fevereiro reexaminará a questão das federações partidárias. A decisão é considera crucial pela maioria das direções regionais no DF. Só para lembrar, essas federações foram criadas como instrumento para unir partidos por um prazo mínimo de quatro anos.

O objetivo oficial é combater a proliferação de legendas de aluguel, mas a motivação maior é salvar partidos que estariam ameaçados pelas novas cláusulas de barreira. Agora, o STF deve decidir sobre a constitucionalidade das federações.

A ação que desencadeou esse processo foi ajuizada no Supremo pelo PTB, alegando que permitir federações para eleições proporcionais é inconstitucional por restabelecer a figura da coligação partidária, prática vedada desde 2017, pelo artigo 17, § 1º, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 97/2017.

O julgamento já começou, com voto do relator, o ministro Luís Roberto Barroso. Ele entende que a federação é constitucional porque “se propõe a ser um instituto de efeitos duradouros, ainda que não permanentes, cuja formação exigirá reflexão e debates que considerem seriamente os seus efeitos”. O Supremo já começou a examinar a questão, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e agora ela será decidida em plenário, sessão com presença física.

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Prioridade no DF

A quase totalidade das forças políticas do Distrito Federal está acompanhando com lupa as decisões sobre as federações partidárias. Isso se sobrepõe a rótulos ideológicos e até mesmo a confrontos preexistentes. É o caso do PSB brasiliense, que está em confronto com o PT desde o governo Agnelo e que inclusive apoiou Aécio contra Dilma em 2014. Apesar das diferenças, o PSB local precisa da federação, que está sendo decidida a nível nacional. Embora tenha candidatura própria ao Buriti, a prioridade maior do partido é eleger o ex-governador Rodrigo Rollemberg para a Câmara dos Deputado. Será difícil fazer isso sozinho. Com a proibição das coligações, as federações serão imprescindíveis para o êxito nas eleições proporcionais.

É muito voto

Pelos cálculos das direções partidárias, o quociente eleitoral no Distrito Federal ficará entre 180 mil e 190 mil votos. Na eleição passada, em que o quociente era um pouco menor, só três coligações conseguiram ultrapassá-lo e assim garantir a vaga sozinhas. Érika Kokay e Bia Kicis só se elegeram graças ao mecanismo das chamadas “sobras”, por terem sido pessoalmente muito bem votadas, uma novidade que passou a valer com a nova redação do artigo 109 do Código Eleitoral. Este ano, sem coligações, será ainda mais difícil garantir a vaga. O caminho, portanto, será a coligação. E partidos mais fortes, como o PT, pretendem utilizar esse mecanismo para atrair os demais.

Mudança de guarda

É rotina, a cada início de ano legislativo, a troca das lideranças na Câmara dos Deputados. Desta vez, ao menos três delas podem ter significados especiais. No PSDB, o pouco conhecido baiano Adolfo Viana indica uma guinada: é partidário do governador Eduardo Leite, desafeto do presidenciável do partido, João Dória. No Republicanos, Vinícius Carvalho, de São Paulo, substitui Hugo Motta, ligadíssimo ao chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. Enfim, no PT, o ameno Bohn Gass dá lugar ao mais agressivo Reginaldo Lopes. Caberá ao novo líder lutar pela instalação da CPI de Sérgio Moro, manobra que, vamos combinar, nada fica a dever às patrulhas truculentas do amigo nicaraguense Daniel Ortega.

Luto por Olavo

Em meio à tumultuada repercussão da morte do filósofo Olavo de Carvalho, a deputada brasiliense Bia Kicis postou uma foto dela abraçada com o falecido. Para confirmar a alto juízo que faz dele, explicou textualmente: “o Brasil perde o professor Olavo, o homem que despertou e sacudiu milhões de brasileiros. Filosofia, religião, política, literatura, e muito mais em seus livros e suas aulas. Dono de um temperamento forte e de um grande coração. Deixa um legado e uma saudade imensos.” Mais do que chorar a morte do professor, avançou, “quero celebrar a sua vida marcante na história do Ocidente.”

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