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PSDB busca novo caminho, mas na oposição

A eleição é a nova tentativa dos tucanos de retomar a relevância e influência que o PSDB já teve no País. Isso significa, segundo Izalci, que o partido terá candidatura própria a presidente

Por Eduardo Brito 30/11/2023 8h22
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Após eleger nesta quinta-feira, 30, o ex-governador goiano Marconi Perillo como seu novo presidente, o PSDB visa marcar uma posição mais ativa. Líder do partido no Senado, o brasiliense Izalci Lucas avaliou, após a convenção nacional, que “o partido se manterá em uma linha de centro, mas evidentemente na oposição”.

A eleição é a nova tentativa dos tucanos de retomar a relevância e influência que o PSDB já teve no País. Isso significa, segundo Izalci, que o partido terá candidatura própria a presidente da República, embora antes precise se preocupar com a escolha de prefeitos e vereadores no ano que vem.

A convenção dos tucanos foi marcada por discursos que admitiam a derrocada do partido, com queda no número de eleitos em 2022, quando o partido saiu das urnas com apenas 14 deputados federais e dois senadores, o amazonense Plínio Valério e o próprio Izalci. No entanto, os filiados também indicavam que o PSDB pode se reerguer e que as eleições de 2024 seriam um caminho para isso, aumentando a base do partido em prefeituras.

Mais tempo para palanques

Marconi Perillo substituirá o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que participou da convenção, mas não disputou a permanência no cargo. Aliados seus chegaram a acenar com uma candidatura do ex-senador José Aníbal, de São Paulo, mas não conseguiram viabilizá-la. Do outro lado, as correntes mineiras do ex-presidenciável Aécio Neves apoiaram Perillo e escolheram até o secretário geral Paulinho Abi-Ackel, ligado a Aécio.

O senador Izalci acredita que, sem a responsabilidade de um governo estadual, Perillo terá como montar um comando partidário mais ativo politicamente e, em especial, dar cara nova ao tucanato. Afinal, embora precise de apoios nas esferas que se ligaram ao bolsonarismo, o PSDB precisa reafirmar-se com essa cara própria, de oposição centrista.

O novo diretório nacional do PSDB foi eleito em uma eleição que teve no total 214 votos, apesar dos mais de um milhão de filiados ao partido. Foram 208 votos a favor da chapa única apresentada para determinar o futuro do partido no ano eleitoral de 2024. Para o PSDB Mulher, a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, ganhou o comando da ala. Já o Tucanafro, Secretariado Nacional da Militância Negra do PSDB, ficou sob o comando de Gabriela Cruz. O setor Diversidade Tucana, sobre diversidade sexual, se manteve com Edgar Souza.

O próximo desafio para partido está nas eleições municipais, precisará buscar mais respaldo. O mau resultado na eleição passada também amargou a posição nos estados: perdeu seu principal bastião, São Paulo, após 28 anos, e elegeu somente três governadores, com Raquel Lyra, Eduardo Leite e Eduardo Riedel. Ainda por cima a pernambucana Raquel nem apareceu na convenção, pois está cada vez mais próxima do presidente Lula – inclusive fisicamente, pois está na sua comitiva de Dubai – e sua saída do partido para o governista PSD é considerada uma questão de tempo.

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